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Del Nero quer punição de pelo menos dez anos para envolvidos em brigas

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SÉRGIO RANGEL

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O presidente da CBF, Marco Polo del Nero, defende punições mais severas aos torcedores que participarem de brigas. Ele diz ser possível o afastamento dos envolvidos em incidentes por pelo menos dez anos dos estádios. O cartola disse que precisa do "apoio da polícia" e de "outros setores do Ministério Público e da magistratura" para colocar isso em prática.

No sábado (8), um torcedor do Vasco morreu e outros dois foram baleados após um quebra-quebra em São Januário, que se espalhou para os arredores do estádio.

Segundo Del Nero, "podemos com facilidade identificar os 200 a 300 vândalos cada torcida e em medida provisória até o julgamento final afastá-los dos estádios por pelo menos dez anos".

Advogados acreditam que o Estatuto do Torcedor dá brechas para aumentar a pena aos brigões.

Atualmente, o torcedor poderá ser punido por até três anos fora dos estádios

Para penalizar os torcedores envolvidos em atos violentos, o dirigente disse que vai negociar com autoridades mudanças na legislação.

No sábado, torcedores do Vasco tentaram pular o alambrado e lançaram rojões nos jogadores adversários. Policiais foram obrigados a lançar bombas de efeito moral para conter a confusão.

Del Nero defendeu também a adoção de "monitores" nas organizadas.

"Outra tese é que os clubes criem a torcida uniformizada, ligada ao clube, e que tenha monitores antes e durante os jogos. Nesse caso, o monitor tem o controle das pessoas e pode afastá-los caso não sejam sociáveis", disse o presidente da CBF à reportagem , por aplicativo de mensagens.

O dirigente já fez essa proposta quando era presidente da Federação Paulista de Futebol em 2013. Até agora, a tese não saiu do papel.

Nesta segunda (10), o STJD deve interditar o estádio do Vasco por causa das brigas após o clássico.

O Ministério Público do Rio vai também pedir ao judiciário a interdição de São Januário.

O dirigente não quis comentar se a onda de violência foi estimulada pelos dirigentes vascaínos.

ELEIÇÃO À frente da CBF desde 2015, Del Nero articula nos bastidores a sua reeleição para abril. Acusado pelo FBI de receber propina na venda de direitos de torneios no Brasil e no exterior, o paulista vai tentar ser eleito para mais quatro anos no poder antes da disputa da Copa.

Pelo estatuto da entidade, o pleito pode ser realizado até um ano antes do final do atual mandato, que se encerra em abril de 2019. O cartola avalia que um insucesso da seleção no Mundial poderia complicar a sua reeleição.

As federações são maioria no colégio eleitoral. Além disso, para ser habilitada, uma candidatura precisa do apoio de oito federações e cinco clubes. Del Nero é o único que, hoje, conseguiria apoio das federações para homologar sua candidatura. A CBF repassa cerca de R$ 70 mil mensais para cada uma delas.

Apesar das denúncias, Del Nero manteve praticamente intacto o seu poder no futebol brasileiro. Com a ajuda da bancada da bola, desarticulou a CPI do Futebol, criada no Senado após a prisão de José Maria Marin, em 2015, com acusações semelhantes às do presidente da CBF.

Em dezembro, o relatório final da comissão assinado pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR) não pediu o indiciamento de cartolas.

Em março, Del Nero ampliou o colégio eleitoral para incluir times da Série B, mas manteve seus aliados, os presidentes de federações, como maioria. Pela nova regra, o voto de cada federação tem peso três, os times da Série A peso dois e os clubes da segunda divisão peso um. No final, as federações ficam com 81 votos contra 60 dos clubes.

Em 2014, Del Nero foi eleito quase que por unanimidade. Ele teve 44 dos 47 votos possíveis. Todos os clubes da Série A votaram nele, exceto o Figueirense, aconselhado pela própria CBF a não participar do pleito por causa de uma disputa judicial.

Apesar de articular sua reeleição, Del Nero só vai assumir publicamente sua candidatura após o julgamento de Marin nos Estados Unidos, marcado para novembro.

Após a prisão do ex-presidente da CBF, Del Nero preferiu ficar no Brasil, que não tem acordo de extradição com os EUA. Desde então, ele nunca mais representou o futebol nacional no exterior.

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