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Lesionado, Auro é vetado por São Paulo de usar CT e se magoa com tratamento

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BRUNO GROSSI

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - De grande promessa a jogador pouco aproveitado no elenco profissional, o lateral-direito Auro voltou ao São Paulo no mês de maio para cuidar de lesão sofrida no joelho esquerdo enquanto defendia o América-MG. A recepção, no entanto, não foi como ele esperava. O ala não pôde fazer seu tratamento no CT da Barra Funda e nem foi autorizado a ficar em um quarto em Cotia, para onde foi encaminhado pela diretoria.

Auro precisou ser operado e, por opção, viajou para São Paulo para realizar o procedimento, mesmo tendo contrato de empréstimo com o América até dezembro. A decisão de fazer a recuperação na capital paulista foi um consenso para que o jogador, um patrimônio do clube paulista, pudesse ser cuidado de perto. A principal reclamação, então, surgiu logo no pós-operatório.

Primeiro, o lateral ficou na casa de familiares, em Jaú, de repouso, mas na sequência precisou iniciar o tratamento no Reffis. Ainda sem poder dirigir, pediu ao clube do Morumbi para ficar no CT da Barra Funda por ter imóvel próximo ao local, mas o clube negou. Com a recuperação repassada para Cotia, o defensor pediu para se hospedar no CFA Laudo Natel, mas novamente recebeu uma resposta negativa. Longe do CFA e sem poder dirigir nas duas primeiras semanas, Auro decidiu alugar um imóvel próximo ao centro de treinamento na Grande São Paulo. A situação incomodou Auro, que esperava um tratamento mais compreensivo da diretoria.

Os tricolores se defendem. Dizem ter custeado a cirurgia e aceitado recebê-lo para o tratamento, que também deveria ter ficado a cargo do América. Explicam ainda que avisaram o empresário do atleta assim que o processo da cirurgia foi acertado sobre a impossibilidade de tratamento na Barra Funda. Já em Cotia, argumenta o São Paulo, a hospedagem é exclusiva para jogadores que tenham 20 anos ou menos, ou seja, nascidos no máximo até 1997. Auro é de 1996 e já integrava o elenco profissional desde 2014, apesar de ter encerrado a última temporada na equipe sub-20 -com destaque.

Neste ano, dois atletas acima dos 20 anos se lesionaram e puderam usar o Reffis do CT da Barra Funda, mas não chegaram a se hospedar no local. O São Paulo explica que resolveu tratar junto dos profissionais o lateral-direito Lucas Farias, do Estoril Praia (POR), e o centroavante Gabriel Rodrigues, do Ventforet Kofu (JAP), porque naquele momento eram poucos os lesionados do time principal e havia espaço e fisioterapeutas para apoiá-los.

Agora, além de Auro, o lateral-direito Foguete (voltou do Vila Nova) e o volante Banguelê (voltou do Novorizontino) também precisaram se recuperar de problemas físicos e o CT já estava cheio de jogadores machucados -chegaram a ser cinco em tratamento ao mesmo tempo. O clube ainda explica que o espaço e a quantidade de médicos e fisioterapeutas em Cotia são maiores para que o tratamento fosse feito com mais cuidado e atenção.

Auro fez 16 partidas pelo América-MG. No São Paulo, foram 36 jogos desde a estreia no profissional, em 7 de setembro de 2014, em vitória por 2 a 0 sobre o Sport no Morumbi. Por coincidência, o clube pernambucano, rival do São Paulo às 19h30 desta quarta-feira (14) pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro, chegou a apresentar Auro como reforço no ano passado, mas a negociação foi desfeita porque nem paulistas e nem pernambucanos se atentaram ao fato de que o ala já havia disputado competições nacionais por dois times na temporada. Além do próprio São Paulo, no Brasileirão, participou da Copa do Brasil pelo Linense, onde atuou emprestado no primeiro semestre.