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Inter leva multa, mas é mantido na Série B em caso de emails adulterados

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PORTO ALEGRE, RS (UOL/FOLHAPRESS) - O Internacional não foi expulso da Série B. Em julgamento realizado nesta terça-feira (13) na sede do STJD, o clube gaúcho foi punido com pagamento de multa por conta do uso de mails adulterados no processo conhecido com 'caso Victor Ramos'. O ex-presidente Vitório Píffero ganhou uma suspensão e mais pagamento de multa. A decisão pode ser revista através de recurso.

Entre as possíveis penas a serem aplicadas ao clube estavam a exclusão da Série B ou mesmo a suspensão do direito de efetuar negociações pelo período de 12 meses. Mas nenhum dos votantes considerou cabível tal situação.

Depois de mais de três horas de julgamento, o relator do processo, José Marcelo Nascimento, pediu o pagamento de multa de R$ 720 mil para o clube gaúcho. E ao ex-presidente Vitório Píffero, suspensão de 540 dias e multa de R$ 90 mil no artigo 234 do CBJD. Além da suspensão de mais 15 dias pelo artigo 258 do CBJD, totalizando 555 dias.

Em seguida, foi a vez do auditor Flavio Boson votar. Ele acompanhou o relator no voto. Depois foi a vez do auditor Rafael Feitosa votar. E ele optou também por acompanhar o voto do relator, decidindo o julgamento. Por fim, o presidente da 5ª Comissão Disciplinar, Rodrigo Raposo, também acompanhou integralmente o voto.

Tanto o Internacional quanto a procuradoria poderão entrar com recurso. Ocorrendo isso, um novo julgamento, desta vez no Pleno, será marcado. A decisão de ambas as partes sairá nos próximos dias. No clube, caberá ao atual presidente, Marcelo Medeiros, a determinação. No STJD, a decisão partirá do procurador-geral, Felipe Bevilacqua.

Se optarem por aceitar a decisão, o clube gaúcho pagará a multa, o ex-presidente também, e a punição de afastamento ficará apenas para Píffero.

O CASO

O Internacional entendia que a inscrição do atleta Victor Ramos, pelo Vitória, era irregular. O jogador pertencia ao Monterrey, do México, e foi emprestado ao Palmeiras e posteriormente ao time rubro-negro. E a segunda negociação ocorreu fora do período de transações internacionais.

Na ótica vermelha, o clube deveria perder pontos, acabando rebaixado à Série B. Na avaliação da CBF, validada pelo STJD, como a documentação de transferência não retornou ao país de origem, a segunda negociação também foi doméstica e sem a necessidade de respeitar a janela de transferências.

Em sua sustentação no processo, o Internacional anexou mails trocados pelo diretor de registros da CBF, Reynaldo Buzzoni, e o diretor do Vitória na ocasião, Anderson Barros. Os documentos chegaram ao Colorado através de um advogado e de um empresário. E não eram exatamente os mesmos enviados pela CBF ao clube baiano.

Após meses de inquérito, o relatório apontou irregularidades, mesmo que a adulteração não tenha sido feita pelo Inter, mas pelo empresário de Ramos na época, Francisco Godoy, com objetivo de facilitar a compreensão do Monterrey, do México. Em seguida, o procurador-geral do STJD, Felipe Bevilacqua, efetuou a denúncia do Inter, julgado nesta terça.