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Venezuela busca primeiro título Fifa em meio a convulsão social

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GIANCARLO GIAMPIETRO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Venezuela vai disputar neste domingo (11) a final do Mundial sub-20, em busca de seu primeiro título em competições da Fifa. O time enfrenta a Inglaterra em Suwon.

Para a jovem seleção "vinotinto", contudo, toda essa distância não é suficiente para lhes afastar da convulsão social por que passa o país.

Já são mais de dois meses de protestos contínuos de oposição ao presidente Nicolás Maduro nas ruas venezuelanas, com mais de 60 mortes confirmadas.

O sucesso surpreendente no torneio sub-20, com direito a vitória sobre a Alemanha e eliminação do Uruguai, obviamente entrou no radar de Maduro, que usou redes sociais e microfones oficiais para enaltecer a seleção.

"Quero parabenizar nossos jovens da geração de ouro pela demonstração de bravura. Sigam adiante, filhos desta pátria, e nos encham de orgulho", disse o presidente.

A manifestação não foi bem recebida pelo técnico Rafael Dudamel, que também dirige a equipe principal.

Em um apelo pela diminuição da violência em seu país, após sua equipe superar os uruguaios nos pênaltis pela semifinal, Dudamel lembrou a morte do adolescente Neomar Lander em protestos na quarta-feira (7).

"Por favor, parem já as armas. Hoje foi um garoto de 17 anos que nos deu alegria [o atacante Samuel Sosa, autor do gol da semi] e ontem morreu outro de 17 anos. Presidente, paremos com as armas, pois esses garotos que saem às ruas só querem uma Venezuela melhor", disse.

Essa é a primeira decisão de um Mundial que a Venezuela disputa. Antes, a equipe nunca havia passado das oitavas de final.

Sensação, o time tem o melhor ataque, com 14 gols marcados em seis jogos, e a melhor defesa, com dois sofridos. Ao mesmo tempo, também é a que mais busca o gol (são 110 finalizações) e tem o goleiro com mais defesas Wuilker Farínez, um dos destaques do torneio.

O trabalho com os jogadores começou bem antes da eclosão dessa nova onda de protestos. É um projeto que já tem duração de dois anos, com módulos de treinamento e amistosos internacionais.

Alguns atletas já ganharam projeção internacional antes de viajar à Coreia do Sul.

O atacante Adalberto Peñaranda, 20, é jogador do Watford (Inglaterra), embora tenha jogado a última temporada pelo Málaga (Espanha), emprestado. Também já jogou pelas eliminatórias para a Copa da Rússia-2018.

O volante Yangel Herrera, 19, é do Manchester City, mas foi cedido ao New York City, (EUA). Lá, já deixou o italiano Andrea Pirlo no banco.

"Mais cinco ou seis rapazes vão embora depois. Isso é certo", disse Jesús Berardinelli, vice-presidente da federação venezuelana.

O sucesso neste Mundial se contrapõe à conturbada situação das ruas do país.

Nada disso ilude os finalistas. "O futebol às vezes te põe em uma bolha, mas, fora dessa bolha, estão nossos familiares, que sofrem", afirmou o técnico Dudamel.

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