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Planejamento de Mattos é questionado no Palmeiras

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GUILHERME SETO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O diretor de futebol Alexandre Mattos tem sido classificado por seus pares nos bastidores como um "superdiretor" pelo poder decisório que acumulou no Palmeiras em tempos recentes. Ele tem autonomia incomum para participar de decisões em diversas áreas do clube, como a formação da equipe médica, a negociação de amistoso contra a Chapecoense e, mais claramente, na formação do elenco. Por isso, atualmente paga o preço pela força que conseguiu.

No Palmeiras, devido aos resultados decepcionantes da equipe nos últimos jogos, conselheiros questionam o trabalho do dirigente.

Sabendo que Mattos decidiu quase de forma monocrática os atletas que chegaram e saíram, eles comparam os gastos com elenco (com folha salarial de R$ 15 milhões) e os resultados alcançados em 2017: derrotas na maioria dos clássicos, eliminação no Paulista após derrota para a Ponte Preta, 13ª colocação no Brasileiro, além de classificação às quartas de final da Copa do Brasil e às oitavas da Libertadores.

"Você precisa ter 80 jogadores contratados para jogarem só 15 ou 16? Todo início de temporada trazemos dez jogadores. Não cabe nem no vestiário", disse à reportagem Mustafá Contursi, conselheiro mais influente do clube, em março. Nos bastidores, ele e outras figuras importantes, como o ex-vice-presidente Roberto Frizzo, têm demonstrado insatisfação com a montagem do elenco e a performance da equipe. As queixas têm chegado com frequência aos ouvidos do presidente Maurício Galiotte.

O problema da decisão do Palmeiras de deixar o planejamento na mão do diretor de futebol é o possível descompasso entre as características dos jogadores e o sistema tático do treinador. Que é o que parece estar acontecendo no atual momento do time.

A recente declaração de Cuca de que o time piorou em relação a 2016 refere-se a essa dificuldade em fazer com que um elenco formado por jogadores que ele não escolheu absorvam as suas ideias.

O atacante colombiano Borja já recebeu chamada de atenção pública por não ajudar na marcação da saída de bola adversários como Cuca gostaria. Diante disso, a grande contratação de Mattos na última janela de transferências foi para o banco.

O volante Felipe Melo, único na equipe que teve frisson semelhante ao de Borja na contratação, hoje faz companhia ao colombiano entre os reservas. Na avaliação do treinador palmeirense, o jogador não tem conseguido se adaptar ao esquema de marcação individual que ele aprecia, deixando buracos na defesa. Por isso, deu lugar a Thiago Santos no time titular.

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