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'Parece que nunca está bom', reclama Argel, demitido antes de título baiano

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ALEX SABINO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Argel Fucks não viu os jogadores lhe dedicando o título baiano conquistado pelo Vitória neste domingo (7), contra o Bahia. Soube pelos telefonemas dos amigos, alguns de Salvador. Ele foi demitido na semana passada após eliminação diante do mesmo adversário pela Copa do Nordeste. Mas o pano de fundo para a saída do treinador não foi a derrota para o arquirrival. Foi a confusão em que se envolveu após a partida, quando chamou atletas adversários para a briga a determinar a mudança na comissão técnica.

"Chama o machão aqui! Chama ele aqui!", ele berrava, contido por seguranças, para Edson, do Bahia.

"Foi algo que me emocionou muito. A homenagem para mim vale mais do que o título" disse Argel, sem querer culpar a direção do Vitória pela sua demissão. Pelo menos no início. Em seguida, ele não se segura e classifica sua demissão como "inacreditável".

"Começamos um trabalho do zero. Tiramos o Vitória do rebaixamento [no Campeonato Brasileiro de 2016]. Quando cheguei, o time estava em 18º. Montamos um time novo. Nosso aproveitamento neste ano é de 79% dos pontos. Em 28 partidas, perdemos três. A convicção dos dirigentes do futebol brasileiro é uma coisa inacreditável. Você já viu treinador de vôlei com aproveitamento de 79% ser demitido? Só no futebol", reclama.

Após o empate em 0 a 0 no Barradão, no último domingo, jogadores do Vitória aproveitaram a festa para dedicar o título a ele. O atacante André Lima disse que Argel foi vítima de uma "injustiça".

Foi o primeiro título estadual do Vitória após 12 anos.

"Todo mundo diz que no futebol, você vive de resultados. Mas não é assim, não. Se você ganha de 1 a 0, não está bom. Se leva um gol, não está bom. Se você perde um clássico contra o seu maior rival em cinco jogos disputados, não está bom. Parece que nunca nada está bom. Não estão satisfeitos jamais", completa.

Apesar de toda a indignação, ele afirma não ter certeza de que a demissão aconteceu por causa da confusão no clássico da semana passada. Diz ter sido informado oficialmente pela diretoria que saiu por causa da derrota. Considera-se injustiçado como Eduardo Baptista, mandado embora do Palmeiras após perder partida para o Jorge Wilstermann (BOL), pela Libertadores.

Como técnico, Argel confessa ter o mesmo espírito do zagueiro que passou por Internacional, Santos, Palmeiras e Benfica (POR): intempestivo, sério e sem tempo para fazer amigos dentro de campo. Ou nas palavras do próprio: alguém que vive intensamente o futebol.

"Eu tenho uma postura. Estou no futebol há 25 anos... Sempre vou defender o time em que estiver. Sempre vou defender a instituição, o clube. Queiram as pessoas ou não, gostem ou não. Eu sou assim. Sempre tomo posição e jamais fico em cima do muro", discursa.

Com viagem de férias marcadas para Portugal, ele pretende não acompanhar as primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, que começa neste sábado (13). Não tem intenção de trabalhar por enquanto. A não ser...

"Eu quero relaxar algum tempo. Estou cansado. Mas tem um time da Arábia Saudita interessado. Vamos ver."

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