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Palmeiras espera apagar resquícios de brigas entre Cuca e jogadores

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DANILO LAVIERI E JOSÉ EDGAR DE MATOS

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Palmeiras reconhece as rusgas que Cuca teve com jogadores e funcionários durante a primeira passagem pela Academia de Futebol. A esperança da diretoria, no entanto, é que o mesmo pacto feito pelo grupo no ano passado seja repetido em 2017 para que as desavenças não virem problema dentro de campo. Respeitado pela torcida de maneira quase unânime e único, na visão de conselheiros, capaz de suportar a pressão encontrada atualmente no clube, o treinador protagonizou conflitos nos bastidores do elenco campeão brasileiro de 2016.

Internamente, a questão de relacionamento pessoal é assunto com a contratação do antigo comandante. Alguns profissionais que trabalham com os atletas relembram o desgaste obtido no ano passado e ponderam sobre o quanto Cuca pode promover a melhora do elenco.

O trabalho da diretoria é mostrar aos atletas, conselheiros, torcida e imprensa que a questão tática e profissional ficará acima dos problemas pessoais desenvolvidos. Não houve, porém, consulta prévia ao elenco antes do acerto.

Ao menos publicamente, todos tratam o tema como coisa do passado e dizem entender o jeito do técnico. O título do Brasileiro fez jogadores tratarem o dia a dia complicado com o treinador como algo menor que o objetivo de levantar a taça. "O jeito dele é assim mesmo" é frase comum entre os que já tiveram bate-boca com o técnico.

Publicamente, os problemas de relacionamento também são tratados como fatos passados. Jogadores ignoraram o trato difícil do ano passado, e Mauricio Galiotte deixa de lado qualquer repercussão sobre o assunto. O presidente, inclusive, disse desconhecer os embates com Cuca durante a campanha do título.

Outro membro importante dos defensores do 'jeito de Cuca' é Alexandre Mattos. O diretor de futebol carrega uma amizade com o técnico, não abalada com desavenças pontuais ocorridas durante a campanha vitoriosa na Série A de 2016.

Dentre as polêmicas somadas no ano passado, a discussão com Dudu se tornou pública. Foram duas as ocasiões em que o camisa 7 do Palmeiras expôs a insatisfação com o treinador campeão brasileiro. A primeira após a substituição com apenas 10min de jogo contra o Red Bull, em março do ano passado. Depois, a desavença foi via imprensa.

Cuca se mostrou insatisfeito com a atuação do meia-atacante no clássico contra o São Paulo, em maio, e comentou não ter visto Dudu 'nos melhores dias'. O jogador respondeu minutos depois: 'Tenho minha cabeça tranquila, pois diz o meu papel, o meu melhor para ajudar a equipe. (...) Não entendo por que [dizem que] não tive um dos meus melhores dias."

O conflito com Dudu, insatisfeito pela exigência defensiva grande, acabou com uma decisão surpreendente do treinador, que perdura até hoje na Academia de Futebol. A grave lesão no cotovelo de Fernando Prass obrigou Cuca a escolher um novo capitão. Em vez de Zé Roberto, Jean ou outro nome experiente, o treinador 'trucou' com Dudu, que subiu de nível e foi fundamental na conquista do Brasileiro.

Outro momento tenso, já na reta final da campanha no Brasileiro, se tornou público. Cuca e Rafael Marques discutiram de maneira ríspida depois da vitória palmeirense sobre o Coritiba, em setembro do ano passado. O tratamento do treinador em relação ao atacante incomodou o grupo de atletas, que permaneceu ao lado do camisa 19, um dos jogadores mais respeitados dentro da Academia de Futebol.

Até mesmo Paulo Nobre precisou lidar com o 'jeito' de Cuca. O então presidente queria que a delegação deixasse o hotel em que estava concentrada para o clássico contra o Corinthians, em Itaquera, por uma porta alternativa para evitar o encontro com torcedores organizados que faziam festa para os atletas. Cuca peitou o dirigente e fez o grupo passar ao lado de sua torcida; em campo, o time venceu por 2 a 0 o arquirrival.

Cuca ainda bateu de frente com Lucas Barrios, atacante contratado a peso de ouro e que tinha o maior salário do elenco. O paraguaio veio a público para desmentir a informação dada pelo técnico sobre uma negociação para o futebol chinês. O camisa 8 atuou pouco na conquista do Brasileirão.

As palavras consideradas fora do tom por atletas, todavia, acabaram relevadas pela época do acontecimento; o Palmeiras disputava a liderança do Campeonato Brasileiro, conquistado quase dois meses depois. O grupo de jogadores se 'fechou' pela conquista e respeitou a linha de trabalho adotada por Cuca, tratada como a ideal pelo resultado de 2016.