Mais lidas
Esportes

Carille resgata forças vitais da era Tite e muda status no Corinthians

.

DASSLER MARQUES

CAMPINAS, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Evolução é a palavra que resume a equipe do Corinthians em 2017 e foi comprovada no Moisés Lucarelli.

Em exibição irretocável contra a Ponte Preta, que havia eliminado Santos e Palmeiras, a equipe de Fábio Carille alcançou, justamente no momento chave do semestre, a primeira vitória por três gols de diferença na temporada. Além de aproximar os corintianos do 28º título do Paulista, o resultado foi um prêmio às convicções de seu treinador.

A vitória conquistada em Campinas mostrou um Corinthians que recuperou suas forças vitais dos melhores momentos dos últimos anos, período em que Carille ainda atuava como auxiliar técnico de Tite e Mano Menezes, os únicos treinadores campeões no Parque São Jorge desde 2005. A recuperação desse DNA, algo salientado pelo próprio técnico em Campinas, já dá um novo status a ele.

O principal ponto que o novo treinador recuperou do Corinthians é a capacidade de mobilização, um termo muito utilizado por Tite. Se em 2016 jogadores, comissão, funcionários e diretoria não pareciam falar o mesmo idioma, a atual temporada mostra um ambiente diferente nesse sentido. Carille e seus atletas conjugam uma só língua, o que fica evidente em entrevistas, atitudes e até mesmo em pequenos gestos.

Depois de arrancar com a bola dominada, passar por dois marcadores e deixar Jadson em condições de anotar o segundo gol corintiano em Campinas, o meia Rodriguinho não correu em direção ao colega, mas se voltou ao sentido contrário. Em direção ao banco de reservas, procurou Carille, que celebrava discreto e recebeu o abraço de um jogador que não se cansa de dar respostas positivas nos jogos importantes.

Há duas semanas, um episódio poderia ter causado uma saia-justa entre eles, mas aparentemente não ganhou eco. Na eliminação da Copa do Brasil, Rodriguinho chamou a atenção por não cobrar penalidades diante do Internacional, e Carille admitiu na coletiva de imprensa que havia sido um pedido do próprio meia, em condições físicas ruins naquele momento. A versão foi ratificada pelo jogador logo depois e mostrou um treinador transparente ao tratar uma situação que em muitos clubes poderia não ser externada.

Ao ser perguntado no último domingo sobre as maiores lições que aprendeu em seu período como treinador, Carille usou um lema famoso de Tite: ser sempre franco com todos, como provou no episódio de Rodriguinho. A consequência da postura é a recuperação da confiança que havia se perdido nos tempos de Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira. E o resultado disso tudo é a fidelidade da equipe à parte tática e aos conceitos defensivos.

Abatido em 2016 com derrotas maiúsculas, como um 4 a 0 para o São Paulo ou 4 a 2 para o Cruzeiro, por exemplo, o Corinthians novamente recuperou a força defensiva que marca sua história recente. Seja com Cássio de novo seguro, com Pablo e Gabriel como reforços essenciais e, principalmente, com a combinação das únicas duas coisas que Carille prometeu ao assumir o time em dezembro: organização e disposição. Contra essas forças, tem sido difícil superar a equipe alvinegra.

Internamente respaldado, o treinador tem sido ouvido em questões fundamentais desde o começo do ano. A remontagem da comissão técnica com o auxiliar Leandro Silva e o preparador físico Walmir Cruz, a busca por reforços com sua participação direta, a opção por abrir mão de Guilherme e manter Marquinhos Gabriel, entre outros momentos, provaram que Carille cada vez mais assume papel importante e se mostra entrosado com superiores e comandados.

Um passo importante para, no próximo domingo (7), quem sabe confirmar o primeiro título pouco depois de estrear na nova função diante de 45 mil torcedores em Itaquera.

×

Newsletter

Conteúdo direto para você:

Quero Receber