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COI pedirá à França detalhes sobre suposta propina para escolha da Rio-16

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PAULO ROBERTO CONDE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O COI (Comitê Olímpico Internacional) afirmou que vai contatar as autoridades francesas para receber informações mais detalhadas a respeito da denúncia feita pelo jornal francês "Le Monde", segundo a qual há evidências de suspeita de corrupção na eleição do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Segundo Mark Adams, diretor de comunicação e porta-voz da entidade, o COI "já tomou ciência das sérias acusações feitas pelo jornal francês 'Le Monde' sobre a votação para selecionar a cidade-sede da Olimpíada de 2016" e vai investigar as alegações.

O COI disse que já tem colaborado com o Ministério Público da França na ação que corre contra Lamine Diack, ex-presidente da IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo) e ex-membro do próprio Comitê Olímpico Internacional, e seu filho Papa Massata Diack -que foi consultor de marketing para a IAAF. Pai e filho são acusados de lavagem de dinheiro e acobertamento de casos positivos de doping, entre outras alegações.

"O COI permanece totalmente comprometido em esclarecer essa situação, em trabalho em cooperação com a Promotoria. Essa cooperação já resultou no fato de que o senhor Lamine Diack, que era previamente um membro honorário do COI, não exerce mais nenhuma função dentro do Comitê Olímpico Internacional desde novembro de 2015", acrescentou Adams, por meio de nota.

O porta-voz também afirmou que o COI tem pedido reparação na investigação contra a família Diack.

Documentos transmitidos pelo Fisco americano com a Justiça francesa mostraram que no dia 29 de setembro de 2009, três dias antes do voto crucial em Copenhague, a empresa Matlock Capital Group transferiu, de Miami, US$ 1,5 milhão à sociedade Pamozi Consulting, de Massata Diack, em Dakar, no Senegal.

No mesmo período, uma transferência de US$ 500 mil, também proveniente de Matlock Capital Group, foi efetuada para uma conta de Diack na Rússia.

A Matlock Capital Group gerencia negócios e investimentos do empresário brasileiro Arthur Cesar de Menezes Soares Filho.

FIGURÃO ARROLADO

Além da acusação de pagamento de propina na eleição do Rio para os Jogos de 2016, a reportagem do "Le Monde" também afirmou que uma companhia offshore chamada Yemli Limited recebeu cerca de R$ 943 mil no dia da escolha da sede, em 2 de novembro de 2009.

A Yemli é ligada a Frankie Fredericks, ex-velocista da Namíbia, detentor de quatro medalhas olímpicas de prata, é membro do COI desde 2012. Atualmente, presidente a comissão de avaliação das cidades candidatas aos Jogos Olímpicos de 2024.

Fredericks participa de inúmeras comissões dentro do Comitê Olímpico Internacional e, em 2009, era escrutinador dos votantes que elegeram a cidade-sede.

Segundo Mark Adams, o ex-velocista procurou a direção do COI para "explicar a situação e enfatizar sua inocência assim que foi contatado pelo jornalista [do 'Le Monde']". "O COI confia que o senhor Fredericks apresentará todos os elementos para comprovar sua inocência diante das acusações feitas pelo 'Le Monde'", prosseguiu o porta-voz.

Fredericks também se reportou à Comissão de Ética do COI, que vai analisar as acusações.