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Torcedores do Batatais lotam ônibus para a final inédita da Copa SP

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MARCELO TOLEDO

BATATAIS, SP (FOLHAPRESS) - Pouco mais de 24 horas após ver seu time ser goleado na semifinal da Copa São Paulo de futebol Júnior, torcedores de Batatais (a 354 km de São Paulo) foram às ruas da cidade soltar fogos de artifício.

A volta para casa, no último domingo (22), já tinha sido comemorada, mesmo depois de o time perder de 5 a 1 do Paulista, em Jundiaí. O motivo era simples: em sua terceira participação na competição, o time não só havia vencido pela primeira vez um jogo como conseguiu chegar à semifinal passando por clubes como Sport, Ponte Preta e Botafogo-RJ.

Só que a exclusão do Paulista do campeonato devido à escalação irregular do jogador Brendon Matheus -que na verdade se chama Heltton Matheus Cardoso Rodrigues e não nasceu em 1997, mas em 1994- fez o time de Batatais "ressuscitar" na Copa SP e chegar à decisão, nesta quarta (25), às 16h, no Pacaembu, contra o Corinthians.

Assim que a decisão foi confirmada, torcedores soltaram fogos em todas as regiões da cidade e começaram os preparativos para a viagem à capital. São esperados ao menos cinco ônibus com torcedores da cidade e da região, além de empresas particulares que estão fazendo lotações em ônibus e vans.

Os jogadores, a maioria de cidades vizinhas a Batatais, nem voltaram para suas casas após a goleada. Ficaram em Jundiaí, no hotel, à espera de uma resposta e, nesta segunda-feira (23), foram para a capital.

"Nossa alegria é gigantesca, é a primeira vez que o clube vai enfrentar um grande de São Paulo, ao vivo, com transmissão em vários canais de TV. Essa projeção motivou o foguetório na cidade e estamos muito satisfeitos de o Batatais estar na final", disse Paulo Tolentino, membro da TUF (Torcida Unida do Fantasma) e que esteve em Jundiaí no último domingo.

Segundo ele, já se sabia após o jogo que havia uma disputa extracampo em relação à situação de Brendon, mas os torcedores não esperavam que o resultado fosse positivo.

"Isso foi comentado no ônibus, mas sempre que um time perde surgem conversas sobre doping ou escalações irregulares. O histórico do futebol não nos deixava com muita esperança nesse sentido [de o Paulista perder a vaga]. Chegamos em Batatais cientes de que estávamos fora da final, foi surpresa para a gente."

Após a decisão tomada pelo TJD-SP (Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo), o presidente do Batatais, André Toffetti, disse que as regras e o regulamento são claros e não cabia tomar outra medida que não fosse defender os interesses do clube.

O clube tentará, também, o que outros dois times da sua região buscaram, sem sucesso. Apenas Botafogo e Comercial, ambos de Ribeirão Preto, já chegaram à final da Copa SP, mas foram derrotados.

PASSADO

A celebração pela disputa da inédita final se deve, também, ao avanço que o futebol local teve nos últimos anos.

Após montar times considerados esquadrões que "assombravam" seus rivais entre as décadas de 20 e 40 -daí o apelido Fantasma da Mogiana (ferrovia)-, o Batatais passou as últimas décadas na quarta divisão estadual.

Só saiu dela em 2008 e, do ano seguinte a 2013, jogou a Série A-3, equivalente à terceira divisão. Em 2014 conseguiu retornar à segunda divisão e, no ano passado, obteve seu melhor desempenho, ao chegar à semifinal e quase subir pela primeira vez à elite.

Nos "anos de ouro", disputou o acesso à elite contra o Guarani (em 1950, válido pelo torneio de 49), mas foi derrotado na decisão numa partida até hoje contestada na cidade.

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