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Jornalista Rafael Henzel conta detalhes da tragédia com a Chapecoense

Da Redação ·
Rafael Henzel:
Rafael Henzel:

Um dos seis sobreviventes da tragédia com o voo da Chapecoense, na Colômbia, o jornalista Rafael Henzel contou detalhadamente com foi o drama vivido pela delegação da equipe catarinense e os jornalistas brasileiros momentos antes da queda. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, na noite de domingo, Henzel falou sobre o que aconteceu no avião pouco antes do acidente e depois do choque da aeronave contra o solo, que provocou a morte de 71 pessoas. 

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"Toda vez que perguntávamos quanto tempo faltava, sempre respondiam os comissários: faltam dez minutos. De repente, simplesmente desligaram as luzes. Desligaram os motores. E aí todo mundo voltou pro seu assento e colocou o cinto de segurança. Na hora que isso aconteceu causou um certo temor. Mas ninguém imaginaria que a gente bateria naquele morro", afirmou o jornalista da Rádio Oeste Capital, de Chapecó. 

De acordo com o jornalista, os passageiros só se deram conta da gravidade da situação quando a comissária de bordo Ximena Suárez, uma das sobreviventes, mostrou estar nervosa e se sentou ao fundo do avião. Ela com o técnico do voo Erwin Tumiri, que também sobreviveu ao acidente. Henzel estava sentado na penúltima fileira da aeronave, do lado direito, um pouco à frente dos dois funcionários. 

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Comissária aflita
"Reparei que houve uma aflição muito grande por parte da comissária que sobreviveu. Ela foi para o lugar dela, e quando ficou muito aflita, realmente a aflição tomou conta. Mas não lembro de ter havido gritaria, não lembro de ter... pânico no avião. Um silêncio estarrecedor. A gente não sabia o que estava acontecendo, até que veio o choque. Eu não lembro da pancada, porque ela foi de repente", relatou. 

Henzel estava ao lado do repórter Renan Agnolin e do cinegrafista Djalma Neto. Quando acordou, viu que os companheiros estavam mortos e percebeu as luzes dos socorristas. O radialista ficou preso entre duas árvores. 

Filme, sonho?
"Primeiro achei que era um filme, que era um sonho. E que ia despertar logo desse sonho. Comecei a observar que vinha gente com algumas luzes, os socorristas. E aí eu comecei a gritar, dizendo que estava ali, naquele lugar. Eu estava preso em duas árvores, e aí com várias árvores ao redor. E aí foi mais impactante ainda, porque as duas pessoas que estavam do meu lado estavam sem vida já. Dez centímetros para cá ou para lá o resultado poderia ser bem diferente", afirmou.

Fartura de 7 costelas
Henzel fraturou sete costelas e ainda é submetido a tratamento de uma leve pneumonia. Ele só soube exatamente o que havia acontecido no terceiro dia após o acidente. "O que eu fico mais impressionado é que as pessoas morreram não por uma falha mecânica. As pessoas morreram por uma falta de discernimento. De um sujeito que de repente, por causa de uma economia boba... Isso é revoltante", completou.