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Agência antidoping pede suspensão da Rússia de competições de atletismo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma comissão independente instituída pela Wada (Agência Mundial Antidoping) pediu nesta segunda-feira (9) que a Rússia seja suspensa de todas as competições de atletismo, inclusive dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.
A recomendação foi feita para a Iaaf (Federação Internacional de Atletismo), que ainda vai deliberar sobre o assunto. O conselho da entidade se reunirá entre os dias 25 e 27 deste mês para analisar o caso e sugerir uma sanção.
Relatório feito pela comissão independente aponta irregularidades de competidores do país em exames antidoping. O esquema, de acordo com a entidade, envolve cinco técnicos e cinco atletas, como Mariya Savinova, campeã olímpica dos 800 metros em Londres-2012.
Ekaterina Poistogova (bronze nos 800 m em 2012), Anastasiya Bazdyreva (400 e 800 m), Kristina Ugarova (1.500 m) e Tatjana Myazina (800 m) são as outras quatro atletas citadas no documento que podem ser banidas do esporte, conforme pedido da comissão.
A Wada recomendou ainda o descredenciamento do laboratório de Moscou. Segundo o relatório, o diretor do estabelecimento, Grigory Rodchenko, ordenou a destruição de 1.417 amostras de atletas para exames. Também foram encobertos casos positivos.
A sofisticação chegou ao ponto de, de acordo com o relatório, um outro laboratório em Moscou idêntico ao credenciado ter sido criado para driblar auditorias antidoping. Além disso, o documento fala em coação e pagamento de propinas a agentes de controle.
Em resumo, o relatório "identificou falhas sistemáticas com a Iaaf e a Rússia", que impediram ou prejudicaram a possibilidade de um programa antidoping efetivo.
Richard Pound, presidente da comissão independente, ressaltou a gravidade do caso e disse que espera que a Rússia proceda rapidamente para resolver esta situação, pois a Olimpíada do Rio, em 2016, está em risco para o país.
"É pior do que a gente pensava. Espero que reconheçam que é o tempo de mudar e que façam isso. A ideia não é excluí-los dos Jogos Olímpicos. Porém, se a conduta não é correta, este é o preço que se deve pagar", afirmou Pound.
Segundo o relatório, a agência de segurança nacional da Rússia, a FSB (antiga KGB), teve participação no acobertamento do caso. Um membro do laboratório de Moscou informou que um agente do órgão, identificado como Evgeniy Blokhin, visitava o local regularmente.
"A interferência direta nas operações do laboratório pelo Estado russo compromete significativamente a independência dele", analisa o documento, que cita uma "atmosfera de intimidação" no local.
O que motivou a investigação foi o documentário "Top Secret Doping: How Russia makes its Winners" ("Doping Secreto: Como a Rússia faz seus Vencedores", em tradução livre), levado ao ar pelo canal alemão ARD em dezembro de 2014.
REAÇÕES
O COI (Comitê Olímpico Internacional) afirmou que o documento divulgado nesta segunda é "profundamente chocante e que entristece o mundo do esporte". A entidade disse acreditar que a nova liderança da Iaaf tomará todas as medidas para chegar às conclusões necessárias.
Também disse que vai estudá-lo cuidadosamente em relação ao que diz respeito aos Jogos Olímpicos. "Se infrações das regras antidoping foram feitas por atletas ou seu estafe, o COI vai reagir com sua política de tolerância zero."
Nesta segunda, o Comitê de Ética do COI recomendou a suspensão provisória de Lamine Diack, ex-presidente da Iaaf, do posto de membro honorário. Ele é investigado pela Justiça francesa.
O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio afirmou que "não vai medir esforços para garantir a realização de um evento limpo, e que vai trabalhar com o COI e a Iaaf para proteção dos atletas limpos".
SUSPENSÃO
De acordo com a comissão, os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, foram sabotados pela presença de atletas dopados.
O presidente da Iaaf, Sebastian Coe, disse que a suspensão para a Rússia "poderá incluir uma suspensão provisória ou definitiva com a retirada de futuras competições da entidade".
O dirigente afirmou ainda que "as informações divulgadas pela Wada são alarmantes".
A Iaaf deu o próximo fim de semana como prazo final para que a Federação Russa de Atletismo responda às acusações.
O ministro do Esporte da Rússia, Vitaly Mutko, suspeito de participar das fraudes, disse, logo depois da divulgação do relatório, que a Wada "não tem direito" de suspender o país.
A Rússia é uma potência do atletismo. Na última Olimpíada, conquistou 17 medalhas na modalidade –oito de ouro. Ficou atrás apenas dos Estados Unidos no quadro de medalhas.
Ainda nesta segunda-feira, a Interpol anunciou, em Lyon, que vai coordenar a operação "Augeas", liderada pela França, para investigar casos de corrupção no atletismo.




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