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Técnico do Atlético-PR já foi estagiário de Mourinho e é fã de xadrez

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LUIZ COSENZO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O xadrez, jogo em que se exercita a capacidade de elaborar estratégias para derrotar o adversário, é o passatempo predileto de Milton Mendes, 50, treinador do Atlético-PR, rival do São Paulo, nesta quarta-feira (1º), às 22h, na Arena da Baixada, em Curitiba, pela décima rodada do Campeonato Brasileiro.
Há pouco mais de dois meses no cargo, Mendes foi o responsável por evitar o rebaixamento da equipe no Estadual e colocá-la no bloco de cima do Nacional -está em sexto lugar com 16 pontos, um a menos do que o Atlético-MG, vice-líder.
O Atlético-PR é apenas a terceira equipe que Milton Mendes dirige no país. Antes, trabalhou no Paraná e na Ferroviária, equipe do interior paulista, que retornou nesta temporada à elite do Estado após 19 anos.
Brasileiro naturalizado português, Milton Mendes construiu sua carreira de jogador e treinador em Portugal. Revelado nas categorias de base do Vasco, ele diz ter sido um atleta determinado, forte fisicamente e muito bom taticamente. Atributos, porém, que não o fizeram ter uma carreira de muito destaque. Jogou em clubes pequenos até se aposentar em 2000.
No mesmo ano decidiu iniciar a carreira como treinador. Fez cursos da Uefa, estagiou com José Mourinho, hoje técnico do Chelsea, e trouxe na bagagem o que aponta a principal dificuldade do jogador brasileiro: a consciência tática
"Espelho sim nas ideias dele [José Mourinho], mas procuro seguir também o que estudei. Em um campeonato como o nosso, o individual não supera o coletivo. Por isso, priorizo a organização e a tática e os jogadores do Atlético-PR estão assimilando. O jogador brasileiro é tecnicamente o melhor do mundo, mas precisa entender de tática", disse ele antes de se descrever como metódico.
Preocupado com a visibilidade que o seu time ganhou após o bom início no Nacional, Mendes já tem outra meta traçada.
"Estou queimando etapas em virtude do pouco tempo, mas quero ter um modelo de jogo diferente, ter variações de um jogo para outro, de um momento para outro da partida".
O treinador, que também gosta de jogar gamão, usa outras expressões parecidas com o xadrez no seu dia a dia. A mais comum é falar do "cavalo branco" ao referir-se às oportunidades e linha mestre.
Outro passatempo do treinador é ler livros. Atualmente, na cabeceira da cama está o livro Inteligência Emocional: Teoria revolucionária que define o que é ser inteligente).
Com a experiência de mais de 20 anos no futebol português, Milton Mendes reclama da constante troca de treinadores no Campeonato Brasileiro.
"O posto de treinadores no Brasil não é respeitado. Os clubes têm que saber o que querem, os objetivos. Cada treinador que cai no Brasil é um gol da Alemanha", completou.

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