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Paçoca de meia tonelada serve 20 mil pessoas em arraial 

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Meia tonelada de paçoca foi servida para 20 mil pessoas (Foto: Jackson Félix/G1 RR)
Meia tonelada de paçoca foi servida para 20 mil pessoas (Foto: Jackson Félix/G1 RR)

A produção da iguaria começou na comunidade indígena do Bananal, no município dePacaraima, Norte do estado. Lá, quatro famílias trabalharam na elaboração dos 200 quilos de farinha, que vem da mandioca. A produção do alimento é a principal fonte de renda da comunidade. Das 42 famílias que vivem em Bananal, 35 produzem farinha.

Em Boa Vista, a farinha e a carne seca, fornecida pelo comércio local, foram trituradas no sábado (20) na cozinha industrial do Serviço Social da Indústria (Sesi). No domingo a cebola e o óleo foram acrescentados ao prato.

Maria Perpétua Mangabeira, conhecida como 'Tia Nega', é uma das 'paçoqueiras' mais tradicionais de Boa Vista e trabalha no ramo há 22 anos. Ela, João Carlos e Raimundo Nonato foram responsáveis por coordenar uma equipe de 15 pessoas em uma cozinha industrial na produção da paçoca. O trabalho durou 48 horas.
"Esta foi a primeira vez que fiz o prato com essas proporções. Foi uma honra trabalhar em um projeto desse que e poder divulgar no maior arraial da amazônia um dos pratos mais tradicionais do estado", comentou Tia Nega. 

No domingo, às 20h (horário local), os frequentadores do arraial puderam finalmente provar a iguaria. Cem pessoas trabalharam na distribuição das 20 mil porções de paçoca que, segundo a prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB), foi o bolo de celebração dos 15 anos do arraial.

"É uma maneira da gente comemorar com a nossa tradição. A paçoca tem uma história e o nosso bolo dos 15 anos é a maior paçoca do mundo", disse Teresa.


Para a distribuição do alimento, oito filas foram formadas. A estudante Cíntia Oliveira foi uma das primeiras a comer a paçoca. Depois de esperar 30 minutos na fila, ela disse que ficou satisfeita. "A paçoca está muito saborosa. Valeu a pena a espera na fila", comentou. Cleberson Cunha, que chegou pouco depois do início da entrega, contou que a distribuição da paçoca valoriza a cultura local. "O legal dessa ação no arraial foi a valorização da cultura de Roraima. Além disso, a paçoca está muito bem feita", afirmou.

'Maior paçoca do mundo'Segundo a prefeitura de Boa Vista, a quantidade de paçoca de carne seca servida no arraial é a maior já distribuída no mundo. A prefeitura informa que entrou em contato com o Guinness Book – o livro dos recordes, para que o registro seja realizado. "Estamos documentando todos os paços da produção e esperamos estar no livro edição de 2016", informou a secretaria de comunicação do município.

Alimento de origem indígenaDe acordo com o coordenador do Instituto de Formação Superior Indígena Insikiran, da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Celino Raposo, não há pesquisas científicas sobre a paçoca de carne seca. No entanto, o professor garante que o prato é originário dos povos indígenas. Segundo ele, em Roraima surgiu com os índios Macuxi.


"Os índios já faziam a paçoca há muito tempo. Primeiro eles furavam a superfície da terra e depois faziam um buraco numa espécie de madeira e enterravam essa madeira no chão. Após isso, eles colocavam a carne no equipamento, e com um outro pedaço de madeira a esmagavam até desfiar", relatou. O professor destaca que a forma de se fazer paçoca no equipamento arcaico foi modificada com o tempo. 

Ela começou a ser feita no pilão, moinho e até mesmo no liquidificar. Ele atribui as mudanças aos não-índios. "A carne era esmagada e acrescentavam sal e pimenta verde. Era uma forma de preservar o alimento. É um costume dos antigos, mas não há uma data certa de quando se originou. Hoje é servida com variadas forma de produção", frisou.

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Edhucca

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