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Dunga: “Queremos homens na seleção, não meninos”

Da Redação ·
Foto: Divulgação
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Dunga entrou na sala de imprensa do Hotel Sheraton, em Santiago, brincando com o zagueiro Miranda na manhã de sábado, às vésperas do duelo decisivo do Grupo C da Copa América, contra a Venezuela. Parecia já estar preparado para o que viria na sequência: um bombardeio de perguntas sobre Neymar – punido com quatros partidas de suspensão, pela Conmebol, e fora, de forma prévia, do torneio.

Mas o técnico canarinho demonstrou muita personalidade. Dunga manteve a coerência e comentou a situação do camisa 10 da Seleção sem se exceder, deixando nas mãos do jogador sua permanência no Chile. “Depende do líder, do jogador, cada pessoa tem uma reação. Essa decisão de ficar tem que ser tomada pelo jogador. Não queremos meninos, queremos homens”.

Conversa com Neymar

Lógico que ninguém gosta de ser suspenso e não é porque aconteceu que vamos conversar especificamente com o jogador. Conversamos com todos, sobre o que é o futebol, o que acontece. Tudo acontece no momento certo, para se corrigir a tempo. Se cada um de nós que cometesse um erro fosse cortado, nenhum de nós estaria aqui. Viemos para fazê-los crescer, e não para achar culpados.

Resultado do julgamento

Temos pessoas no jurídico da CBF que vão fazer o contraponto das medidas tomadas contra o Neymar. Não queremos nada a nosso favor, que seja tudo parelho. Queremos julgamentos iguais para todos da competição. Só isso!

Quero acreditar que não tenha havido pressão no julgamento. Deixo esse assunto para o jurídico da CBF. Vamos preocupar com o jogo contra a Venezuela e realizar o melhor trabalho possível, achar soluções para a equipe.

Copa América sem o camisa 10

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Assim é o futebol. Neymar é um representante muito grande do futebol. Assim, as atenções voltadas a ele também são grandes. Todos que gostam do futebol gostariam de vê-lo em campo, assim como o Messi, Di María e Sánchez. O espetáculo seria melhor, com mais qualidade.

Críticas a Neymar

Eu ouço tanta coisa do futebol. E quando se toma uma definição, temos de voltar. Antes falavam: ‘não tem mais drible, não tem mais arte, não tem mais plástica”. Agora… Tem que definir o que se quer. Todos batiam no Pelé, no Maradona, agora no Neymar. Batem sempre no que se tem de melhor.

Neymar fica ou vai embora

Depende do líder, do jogador, cada pessoa tem uma reação. Essa decisão tem que ser tomada pelo jogador. Quando chegamos aqui, dissemos que tratamos os jogadores como homens que devem ter responsabilidade, não como meninos. É preciso analisar se será benéfico para a Seleção ele ficar, se será produtivo. Ele tem que sentir de que forma pode colaborar, mesmo estando acostumado a jogar, aos holofotes, ou se é melhor sair para não transmitir a tristeza, a amargura, o que está dentro dele. Não queremos meninos, queremos homens e acreditamos nesses homens. São profissionais que representam o Brasil no mundo.

Só se fala em Neymar

É natural, na época do Flamengo do Zico, só se falava do Zico, no Corinthians, do Sócrates, na Argentina, do Maradona, do Messi, nos anos 70, do Pelé. É natural, do futebol, cercar um nome para se falar. Não adianta enganar ninguém. O que mais vende, vamos falar.