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Até a queda, Blatter conseguiu manter-se blindado de escândalos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Até segunda-feira, 1° de junho de 2015, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, parecia blindado a escândalos.
Quando tudo indicava que se livraria de mais um, o seu braço-direito na entidade, o secretário geral Jérôme Valcke, foi ligado ao esquema de corrupção que gerou prisão de oito cartolas. Segundo o jornal "New York Times", Valcke teria transferido US$ 10 milhões de propina para Jack Warner, presidente da Concacaf (Confederação das Américas do Norte, Central e Caribe) e ex-vice da Fifa.
A Fifa nega a participação de Valcke, mas nesta terça (2), Blatter renunciou a seu quinto mandato na Fifa, para qual foi reeleito na sexta (29) para mais quatro anos, e convocará novas eleições.
Três anos depois de assumir, em 2001, Blatter conviveu com um escândalo gigantesco relacionado ao principal parceiro comercial da Fifa na época, a empresa suíça ISL (International Sports and Leisure), que organizava as principais competições da Fifa na época.
O modus operandi entre os contratos da ISL e os acordos entre a empresa Traffic Sports com a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) e a Concacaf, que resultou a investigação atual do FBI, era parecido. Pagamento de propinas a dirigentes para a obtenção dos acordos.
No caso da ISL foi verificado mais de US$ 100 milhões. A investigação fez a empresa falir, e deixou a Fifa em apuros financeiros, algo inimaginável atualmente.
Blatter não foi implicado. Segundo as investigações da Justiça suíça, ele teve uma conduta "desajeitada", mas não recebeu dinheiro. Mais de dez anos depois, altos dirigentes como Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, e João Havelange, ex-presidente da Fifa, deixaram cargos na entidade ao admitirem terem recebido propinas da ISL.
Depois de ser acusado, em 2002, pelo ex-secretário geral da Fifa Michel Zen-Ruffinen de má gestão financeira, e se livrar de investigações na Justiça suíça, Blatter conseguiu mais dois mandatos mas, em 2010, a entidade passou a conviver com o fantasma de propinas nas escolhas das sedes das Copa de 2018, na Rússia, e 2022, no Qatar.
Primeiro, dois membros do Comitê Executivo, grupo de 24 membros escolhidos entre as 209 filiadas, que escolhiam na época as sedes, foram flagrados pelo jornal inglês "The Sunday Times" aceitando propina para votar no Qatar. Na verdade, era uma oferta fictícia, de um repórter se passando por corruptor. Amos Adamu, da Nigéria, e Reynald Temarii, do Taiti, caíram.
Blatter prometeu investigar o processo de escolha, alterou o estatuto, e agora são os 209 filiados que votam, e criou um comitê de investigação e outro para julgar, independente à Fifa.
Tudo isso não apagou a possibilidade de que houve compra de votos para a escolha das sedes. A desconfiança aumentou quando o relatório final do comitê de investigação, feito pelo norte-americano Michael J. Garcia, não foi divulgado. Garcia se revoltou e deixou o cargo.
Em 2011, no processo eleitoral para o quarto mandado de Blatter, seu rival, Mohamed bin Hammam, do Qatar, foi acusado de pagar propina a alto escalão da Concacaf para receber votos. Na sequência ele também seria incluído em suspeitas de ter dado dinheiro para que se votasse no Qatar, no ano anterior, como sede da Copa.
Hammam foi expulso da Fifa, e Blatter pôde reinar sozinho. Até esta terça-feira (2).




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