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Com Müller 'meia-boca', time da 4ª divisão vê arrecadação aumentar

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Sem jogar desde 2004, quando entrou em campo pela última vez com a camisa do Ipatinga, o atacante Müller, 49, já faz sucesso no Fernandópolis, time da 4ª divisão do Campeonato Paulista, pelo menos fora das quatro linhas.
Desde que anunciou a contratação do jogador em fevereiro, o Fernandópolis viu seu faturamento saltar de R$ 20 mil para R$ 200 mil, de acordo com o presidente da agremiação, Jerri Messias Falcão. O valor arrecado é fruto do aumento no número de sócio-torcedores, que saltou de aproximadamente 180 para mil, e novos patrocinadores de camisa.
Müller, que fará nesta sexta-feira (17) sua estreia com a camisa do "Fefece", como o time é carinhosamente chamado, também verá a empolgação dos torcedores na arquibancada do estádio Claudio Rodante, que tem capacidade para 7.500 pessoas. Até o final da tarde de quinta-feira, 4.500 mil bilhetes já haviam sido comercializados para o jogo contra o Grêmio Prudente. No ano passado, em quatro jogos que fez como mandante Fernandópolis somou público de 2.032 pagantes.
"A contratação do Müller foi um projeto arrojado, um choque de gestão, que trouxe dinheiro e credibilidade ao clube. O empresariado começou a ajudar e conseguimos movimentar vários municípios da região", disse Jerri Messias Falcão, que assumiu a presidência do clube em janeiro.
O dirigente, que diz ter vendido picolé e cachorro quente quando adolescente no estádio em jogos do Fernandópolis, decidiu contratar o atacante após assisti-lo em um jogo beneficente. Ele teve o apoio do atacante Alex Dias, 42, ex-São Paulo, e do lateral direito Maurinho, que vestiu as camisas do Santos e Cruzeiro, que conversaram com o tetracampeão mundial.
Os dois jogadores também fazem parte do elenco do Fernandópolis. O lateral iniciará o jogo como titular, enquanto o atacante deve entrar na vaga de Müller.
MEIA-BOCA
O próprio Müller admite estar "meia-boca" e que irá colaborar com a experiência.
"Estou meia-boca. Não tenho a velocidade de antes, mas espero ajudar orientando. Vou jogar mais ensinando do que praticando", disse o atacante, que participou na manhã desta sexta (17) de um evento com o empresariado local.
"Espero relembrar os velhos tempos, mas dentro da minha condição física", acrescentou o jogador, que planeja atuar por aproximadamente 20 minutos.
No contrato com o Fernandópolis, Müller passa a semana na cidade e, no final de semana, viaja para São Paulo. O atacante, que não ficará concentrado com o restante do elenco, só atuará nos jogos do clube em casa.
A Folha de S.Paulo apurou que Müller vai receber R$ 100 mil em luvas e uma premiação, em caso de acesso à Série A-3, de até R$ 200 mil, além de um salário mensal mínimo de R$ 10 mil.
Os salários de Müller, Maurinho e Alex Dias são pagos por um grupo de dez empresários. Sem os três jogadores, a folha salarial do clube é de R$ 80 mil.
Apesar do currículo invejável, bicampeão da Taça Libertadores e do Mundial de Clubes, Mülller foi socorrido, em 2011, pelo canal SporTV após perder todo o patrimônio e contar com a ajuda de amigos para sobreviver. Em março do ano passado, ao saber que não seria escalado pela emissora para cobertura da Copa do Mundo, Müller pediu demissão.
Müller é a tentativa de colocar a cidade do interior (553 quilômetros de São Paulo) no mapa do futebol paulista. 
"Nosso objetivo é sair desta divisão. Queremos conquistar o acesso", completou Jerri Messias Falcão.

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