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Longe de casa, iugoslavos duelam pelo título do Mundial de handebol

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MARCEL MERGUIZO, ENVIADO ESPECIAL
DOHA, QATAR - Eles nasceram na então Iugoslávia, em cidades a menos de 500 km de distância, em meados dos anos 1980.
Neste domingo (1º), rivais de 1,96 m e cerca de 100 kg cada, eles buscam o título do Mundial masculino de handebol, no Qatar. E ambos longe dos países que se formaram após a separação da república socialista na década de 90.
Nikola Karabatic, 30, nasceu em Nis, no território que hoje é a Sérvia. Zarko Markovic, 28, é de Cetinje, atualmente Montenegro. Neste Mundial no Oriente Médio, o primeiro é armador central da França. O outro, armador direito do Qatar.
Na Arena Lusail, no Qatar, a partir das 14h15, diante de mais de 15 mil espectadores, os dois serão mais especificamente esperanças de gols e título para suas respectivas seleções.
Markovic é o vice-artilheiro da competição, com 60 gols (oito atrás de Dragan Gajic, da Eslovênia, coincidentemente outra ex-república da Iugoslávia).
Já Karabatic tem "apenas" 28 gols e é o terceiro artilheiro da França no campeonato. Mas carrega na bagagem a experiência de ser bicampeão olímpico (2008 e 2012), bi mundial (2009 e 2011) e tri europeu (2006, 2010 e 2014) com a seleção francesa. Currículo que Markovic não chegou perto de sonhar nos anos de seleção montenegrina.
Pela falta de expectativa de conquistar grandes títulos e por alguns milhares de dólares, Markovic se naturalizou qatari no último ano. Junto a ele há mais oito estrangeiros no time da casa. Karabatic teve uma história diferente.
Logo aos três anos de idade, os pais (um croata e uma sérvia) do menino iugoslavo se mudaram para a França. Um ano depois, em Estrasburgo, nasceria Luka, irmão com quem Nikola compartilha a camisa dos "Blues".
"Não ganhamos nada ainda. A maior decepção é quando você faz parte de uma final e perde. O Qatar pode ser um adversário perigoso para nós", analisou Nikola Karabatic, após a vitória sobre a atual campeã mundial, Espanha, na sexta (26 a 22).
Markovic, até porque o Qatar censura qualquer pergunta sobre naturalização, não está dando entrevistas à imprensa internacional. Mesmo que seja para falar que o país árabe é o primeiro não-europeu a chegar em uma decisão de Mundial.
Liberdade e igualdade à parte, no duelo entre o campeão europeu e o asiático de 2014, o vencedor deste domingo já garante vaga direta na Olimpíada do Rio, em 2016. A seleção brasileira já está confirmada por ser país sede. As outras 12 vagas serão disputadas nos pré-olímpicos continentais e um Mundial.

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