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Campeão mundial pela França defende Qatar na decisão deste domingo

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MARCEL MERGUIZO, ENVIADO ESPECIAL
DOHA, QATAR - Quando a Marselhesa ecoar, neste domingo (1), na suntuosa Arena Lusail, o francês Bertrand Roiné não estará abraçado com seus companheiros campeões mundiais de 2011 cantando "Avante, filhos da Pátria, o dia da glória chegou".
O armador estará do outro lado da quadra, apenas ouvindo o revolucionário hino da França, composto em 1792, e olhando a bandeira tricolor como rival enquanto se prepara para entoar o hino do Qatar junto com outros oito estrangeiros e sete qataris antes da decisão do Mundial de handebol. E todos eles cantam a letra escrita em 1996 em homenagem a ascensão do xeque Hamad bin Khalifa Al-Thani, pai do atual emir, ao trono.
Roiné é o único campeão mundial na seleção do emirado do Golfo Pérsico, a primeira não-européia a chegar a uma final da competição. Para jogar pelo Qatar, ele e os outros cinco europeus, um egípcio, um tunisiano e um cubano precisaram cumprir a regra da federação internacional de estar há 3 anos sem defender o próprio país de origem.
"Todo mundo fala em mercenários ou coisas assim. Mas não devemos esquecer que nós não estávamos jogando em nossas seleções nacionais", disse Roiné à imprensa francesa.
Especula-se que a premiação para a classificação à final rendeu cerca de 200 mil euros (R$ 600 mil) a cada jogador. O armador qatari-francês não desmente que haja premiação, mas refuta as afirmações de que ele tenha recebido dinheiro para se naturalizar pelo país asiático.
"Eu recebi zero euros para jogar pelo Qatar. Assim como na França, se ela for campeã do mundo, nós teremos um prêmio. Na Europa nós falamos sobre esses valores antes da competição. Aqui não sabemos ainda, depende realmente da boa vontade da federação", explica Roiné.
A França é bicampeão olímpica (2008 e 2012), tetra no Mundial (1995, 2001, 2009 e 2011) e tri no Europeu (2006, 2010 e 2014). O Qatar tinha sido 20º colocado no último Mundial, em 2013, ainda sem a legião estrangeira. Com os reforços e sob o comando do técnico espanhol Valero Rivera, já em 2014 conquistou pela primeira vez o Campeonato da Ásia e os Jogos Asiáticos.
"Eu rio porque quando falam do Qatar é sobre comprar os árbitros, comprar, comprar... Pessoalmente, vir para o Qatar me fez ganhar um pouco mais do que na França, mas nada gritante", disse aos franceses o campeão mundial de 2011 que atualmente joga pelo Al Ahli, da liga qatari.
E se além de se apoiar em um campeão francês o Qatar quiser se inspirar na Marselhesa, os qataris poderão cantar ao término da batalha deste domingo que formaram seu batalhão, marcharam, marcharam e com sangue impuro sua terra se saciaram. Mas, no lugar do glamour francês comemorarão a ostentação do Qatar.

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