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Brasil pode ter dificuldades em decisão por pênaltis

Da Redação ·
 Em 1998 o Brasil se deu bem nos pênaltis contra a Holanda. Dunga estava lá como jogador. Hoje técnico, ele fará de tudo para evitar uma nova decisão por pênaltis
fonte: AFP
Em 1998 o Brasil se deu bem nos pênaltis contra a Holanda. Dunga estava lá como jogador. Hoje técnico, ele fará de tudo para evitar uma nova decisão por pênaltis

Bert van Marwijk tem insistido com seus próprios jogadores sobre o igual potencial de Brasil e Holanda. De acordo com suas análises, a possibilidade de a partida terminar empatada é muito grande. Assim como a prorrogação. A decisão para a semifinal da Copa da África do Sul aconteceria nos pênaltis. Ele fez seu time treinar muitas penalidades. Ao contrário de Dunga. O brasileiro tem ido por outro caminho aposta em ganhar a vaga com a bola correndo.

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O motivo principal é que a seleção brasileira não trouxe para a África do Sul um exímio cobrador de pênaltis. Se em 120 minutos de futebol o placar acabar igual, o time de Dunga pode ter sérias dificuldades. Os favoritos para serem escolhidos para os pênaltis são Kaká, Luís Fabiano, Daniel Alves, Michel Bastos e Juan.

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A única decisão de pênaltis na era Dunga aconteceu contra o Uruguai, na Copa América de 2007, na Venezuela. E seu cargo esteve em jogo. Com time misto, sem Kaká e Ronaldinho, o Brasil chegou a estar em desvantagem. Mas conseguiu reverter e acabou eliminando os uruguaios e vencendo a competição goleando a Argentina. Na própria CBF há quem garanta que se a seleção tivesse sido derrotada, Dunga seria demitido.

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Há treinadores que fazem como Bert van Marwijk, que faz seus atletas treinarem à exaustão cobranças de pênaltis. E já definem logo os cobradores no início da competição. Dunga já segue por outra linha. Ele treina pouco e acredita que devem cobrar aqueles que estiverem mais confiantes. Ele aprendeu isso com Zagallo e Parreira. Em 1994, quando o Brasil ganhou o tetracampeonato mundial. E quando eliminou os próprios holandeses nas semifinais de 1998. Ele estava nas duas. Cobrou e marcou em ambas. Na França, após derrotar os holandeses, Dunga disse:

- Pênalti é muito lado emocional. O atleta sente quando está bem ou não. Eu aprendi isso na minha carreira. Você pode ser um grande cobrador e não estar no seu dia. Só é preciso ter a humildade para assumir isso.

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Além do treinador, a seleção brasieira tem um grande personagem nestas decisões: Taffarael. Ele foi anunciado como espião de Dunga. Mas na prática se tornou preparador de goleiros, junto com Wendel. E tem conversado muito com Júlio César. O goleiro da Inter já é apontado pela mídia europeia como o melhor do mundo. E é exímio defensor de pênaltis. As orientações de Taffarel podem ser decisivas, dar mais confiança em uma eventual decisão em penalidades.

Dunga deve fechar apenas o treinamento desta quinta-feira (1º) para que seus jogadores batam pênaltis. Na véspera do jogo. E poucos. Foi assim em 1994 e 1998. Parreira e Zagallo treinaram muito pouco, ao contrário de van Mawijk. Além de Kaká, Luís Fabiano, Daniel Alves, Michel Bastos e Juan, outros dois atletas poderão bater na primeira lista de cinco: Maicon e Robinho.

Mas é fácil perceber que, se depender de Dunga, a decisão da vaga para as semifinais vai passar longe da decisão por pênaltis. Ele que já quase perdeu o emprego contra o Uruguai, quer a vaga nos noventa minutos. Não quer correr um risco tão grande de ver todo o seu trabalho jogado fora por um pênalti na trave.