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Teixeira movimentou R$ 92 mi em banco de Mônaco, diz site francês

Da Redação ·
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O ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira movimentou mais de € 30 milhões (R$ 92 milhões) em um banco de Mônaco em suposto esquema de lavagem de dinheiro, durante o período de 2010 e 2013. A informação consta do site francês Mediapart, especializado em investigações sobre transações irregulares de recursos.

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O site francês afirmou ter documentos que provam a relação do Banco Pasche, de Mônaco, subsidiário do Banco Mutuel, em um esquema de lavagem de dinheiro que teria como um dos clientes Teixeira. Em sua matéria, também foi descrito um diálogo em que um dos diretores do banco se refere ao momento em que aceitou receber o alto volume de recursos do ex-dirigente da confederação.

"Eu tive um cliente, um grande brasileiro. Nenhum banco de Mônaco queria abrir conta para ele. Hoje, nenhuma pessoa ia querer abrir essa conta porque ele é uma verdadeira complicação. Mas nós fizemos toda a declaração de imposto, e do tribunal como se ele não estivesse condenado. Evidentemente, ele é conhecido, muito conhecido. Portanto, temos um risco para a nossa reputação. Sabemos que ele recebeu dinheiro por troca de favores, mas não é um caso de política", afirmou o diretor do banco Jürg Schmid, em conversa com outro dirigente, em declaração gravada de uma ligação telefônica.

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"Nós decidimos juntos aceitar porque ele nos trouxe € 30 milhões. E isso não é nada", completou o diretor do banco. Teixeira não está citado nas declarações do dirigente bancário, mas o Mediapart garante ter documentos que comprovam que se tratava do brasileiro.

Documentos obtidos pelo Mediapart ainda indicam que Teixeira esteve várias vezes em Mônaco de janeiro a maio de 2014. Se hospedou no Hotel Metrópole, e teve sua estadia paga pelo banco Pasche, que ficava a poucos metros do hotel. O site afirmou ter obtido os recibos de pagamento do hotel, que tinham o nome do cartola brasileiro.

Lembre-se: Teixeira teve que se retirar do Comitê Executivo da Fifa com a comprovação de que recebera propina da ISL para favorecer a empresa em contratos com a entidade. Um processo na Justiça suíça demonstrou que tanto ele quanto o ex-presidente João Havelange tinham sido favorecidos por esse suborno. Juntamente com a cúpula da Fifa, eles conseguiram manter em sigilo seus nomes durante alguns anos. Mas, por fim, a entidade divulgou que eram eles os receptores das propinas porque a Justiça suíça o faria.

O ex-presidente da CBF ainda é acusado de ter se favorecido de dinheiro da entidade que dirigiu. O amistoso do Brasil contra Portugal, por exemplo, gerou R$ 9 milhões para a Ailanto, empresa de seu amigo Sandro Rossel. Posteriormente, a Folha de S. Paulo comprovou que houve pagamentos da empresa para o dirigente.