Esportes

Em quatro anos, atacante conquista títulos, fãs e polêmicas

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 26 de maio (Folhapress) - Neymar é um meteoro. Surgiu no profissional há quatro anos como o sucessor de Robinho e vai para o Barcelona sendo chamado pelo clube espanhol como o "rei do século 21".

O atacante estreou em 2009 no Campeonato Paulista e, em meio a uma reformulação, o clube foi vice do Estadual. Na época, o Santos tinha 17 mil sócios e encerrou a temporada com faturamento de R$ 70 milhões, além de campanhas pouco expressivas na Copa do Brasil e no Brasileiro (12º).

Maio de 2013. O Santos conquistou seis títulos com Neymar, aumentou para 65 mil sócios e faturou 198 milhões ao final da última temporada. Com um plano de carreira para o atleta, o clube conseguiu resistir a três ofertas e ainda vai lucrar com a venda faltando um ano para o fim do contrato.

Neymar viveu momentos marcantes e intensos com a camisa santista. Conquistou uma Libertadores, uma Copa do Brasil, três Paulistas e uma Recopa-Sul Americana, consolidando-se como a grande figura santista desde o surgimento da dupla Robinho e Diego e chegando a ser comparado às estrelas dos anos 60, encabeçadas por Pelé. Tudo isso com apenas 21 anos.

Com 11 anos, Neymar já era visto como um garoto com qualidades futebolísticas diferentes. Seus vídeos na internet chamavam a atenção pela capacidade técnica acima da média. Três anos mais tarde, o atleta chegou a passar por testes no Real Madrid, que quase o segurou na Europa. Mas o Santos fez uma proposta financeira para a família do adolescente, que decidiu permanecer no Brasil por mais tempo e mais próximo dos parentes.

A estreia no profissional ocorreu no dia 17 de março de 2009, contra o Oeste, no Pacaembu, pelo Paulista. Aos poucos, o camisa 11 conquistava a torcida com sua irreverência e qualidade dentro de campo.

Mas em 2010, o primeiro grande conflito. Na partida contra o Atlético-GO pelo Campeonato Brasileiro, Neymar discutiu com o então técnico Dorival Júnior, que não permitiu que o atacante cobrasse uma penalidade. Após o jogo, Renê Simões, que comandava o time goiano, criticou a atitude do atleta.

"Estou extremamente decepcionado. Estou desde garoto no futebol e poucas vezes vi alguém tão mal-educado desportivamente. Sempre trabalhei com jovens e nunca vi nada assim. Está na hora de alguém educar esse rapaz, ou vamos criar um monstro. Estamos criando um monstro no futebol brasileiro", disse Simões à época.

Após o episódio, que derrubou Dorival do comando do time, se viu um Neymar mais comedido nas atitudes dentro do gramado e mais centrado no futebol. Um ano depois, Simões observou evolução no comportamento do jogador e manteve a sua postura crítica ao episódio.

"Eu falei o que falei naquela época como educador, como profissional de futebol. Meu pai conta histórias da Copa do Mundo de 1950 que são de cortar o coração. As pessoas chorando na rua, sem querer voltar para casa. E, para que isso não aconteça em 2014, o Neymar precisa estar na sua plenitude. Não acho que ele tenha mudado, mas as pessoas que tratam dele o orientam melhor", disse na ocasião.

Outro episódio polêmico, porém, ocorreu na Libertadores de 2011. Após marcar um gol na vitória santista por 3 a 2 sobre o Colo-Colo, o atleta pegou uma máscara com seu rosto em um camarote da Vila Belmiro e a colocou, o que levou o árbitro uruguaio Roberto Silvera a dar ao jogador o segundo amarelo, expulsando-o.

Neymar continuou desenvolvendo seu futebol e conquistando títulos. No entanto, alguns questionamentos permaneceram, principalmente dos rivais, que o chamavam de "cai-cai", e de parte da imprensa e torcida brasileira, que cobravam uma grande atuação pela seleção. Fora de campo, muitos compromissos publicitários e sociais acabaram tomando conta de boa parte do tempo de Neymar, que passou a figurar também em sites de fofoca, principalmente a respeito de seu romance com a atriz Bruna Marquezine.

Mais recentemente, o ex-técnico da seleção brasileira Mano Menezes criticou o desempenho de Neymar e defendeu a ida do santista para a Europa.

"Nos últimos seis meses você não vê evolução nele, até uma pequena involução. E isso é preocupante porque ele é o principal jogador brasileiro. Seria importante ele estar crescendo nessa hora e não o contrário. Mas futebol tem fases, a gente espera que ele fique mais centrado nesse ano, nesse Brasileiro, se preocupe muito mais com o futebol que é a parte principal da carreira dele", declarou.

Independentemente disto, o que a torcida e o Santos vão lembrar são dos títulos e do retorno que seu craque deu para a instituição. Da parte de Neymar, fica a saudade e o agradecimento pelos anos com a camisa 11 santista.

"Sou grato a maravilhosa torcida do Peixe que me apoiou mesmo nos momentos mais difíceis. Títulos, gols, dribles, comemorações e as canções que a torcida criou pra mim estarão pra sempre em meu coração... É um momento diferente pra mim, triste [despedida] e alegre [novo desafio] Que Deus me abençoe nas minhas escolhas. E estarei sempre em Santos", escreveu Neymar em sua conta do Instagram, ao anunciar a sua transferência para o Barcelona.

Santos

O Santos afirmou ontem em nota que fez todos os esforços para manter o atacante, mas não foi possível competir com as propostas do exterior.

Na nota assinada pelo Comitê de Gestão, o time da Vila Belmiro diz que devido à confidencialidade do contrato, e de comum acordo, as bases da negociação não serão divulgadas pelas partes.

"O Santos FC libera Neymar Jr., ciente de que fez todos os esforços para mantê-lo no Brasil pelo maior tempo possível, inclusive oferecendo a renovação do contrato atual, que terminaria em julho de 2014. Neste momento, no entanto, não foi mais possível competir com as condições oferecidas pelas propostas recebidas do exterior, que impactaram a decisão do atleta de rever a sua vida profissional", disse o Santos através de nota publicada em seu site e Comitê de Gestão do clube.

O Santos diz ainda que recusou uma "série de ofertas milionárias por Neymar desde meados de 2010".

Na nota, a equipe diz também que o jogador ajudou o clube a aumentar a visibilidade de sua marca e receitas citando o aumento do número de sócios de 17 mil para mais de 65 mil na atualidade, o recorde de vendas de camisas azuis em 2012 -mais de 100 mil-, a multiplicação de torcedores e que as receitas triplicaram em três anos.
 

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