Esportes

Dilma entrega estádio inacabado e rebate críticos

Da Redação ·





Por Breno Costa

BRASÍLIA, DF, 18 de maio (Folhapress) - A presidente Dilma Rousseff criticou hoje os "pessimistas de plantão" ao entregar as obras do Mané Garrincha, em Brasília, a menos de um mês do início da Copa das Confederações. O estádio sediará o jogo de abertura da competição, no próximo dia 15 de junho, entre Brasil e Japão.

"Esse estádio mostra a capacidade que nós brasileiros temos, juntos, de realizarmos aquilo que muitos pessimistas de plantão dizem sempre que nós não somos capazes. Por isso, a gente vai acumulando vitórias", disse a presidente.

O estádio, com capacidade para 72 mil torcedores e erguido ao custo de R$ 1,2 bilhão, teve sua inauguração adiada duas vezes e ainda está inacabado. E, como a Folha de S.Paulo mostrou na edição de hoje, terá que trocar o gramado para a Copa-2014, a um custo extra de R$ 4,5 milhões.

Complexo de vira-lata

Falando para uma plateia de cerca de 500 convidados, numa sala dentro do estádio, Dilma fez uma homenagem a Garrincha, ex-jogador do Botafogo e que dá nome ao estádio. A Fifa, organizadora da Copa das Confederações e da Copa-2014, decidiu que não usará oficialmente o nome do craque na divulgação oficial das competições. Segundo a entidade, a competição é internacional e é necessário que o nome das arenas tenham "consistência".

"[O nome do estádio] é uma homenagem a um atleta brasileiro, gênio na arte do futebol, um grande improvisador, que tinha na imensa capacidade de jogar futebol sua arma para demonstrar para o mundo e para o Brasil aquilo que o nosso grande cronista esportivo, Nelson Rodrigues, disse que o Brasil tinha que superar, que era seu complexo de vira-lata", afirmou a presidente.

A cerimônia de inauguração, formal e simples, teve como principal atração a presença da presidente e de outras autoridades. A inauguração de fato ocorrerá nesta tarde, com a final do Campeonato Brasiliense, entre Brasília e Brasiliense. Para essa partida, somente um terço do estádio estará liberado para a torcida. Ao todo, foram disponibilizados 22 mil ingressos, a maioria deles para operários e familiares.

A solenidade com a presidente teve momentos de constrangimento. Quando Dilma pisou no gramado, ao lado de quatro crianças, do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e de outras autoridades, o sistema de som do estádio simulou, em alto volume, barulhos de explosão.

Além de diversos ministros, entre as autoridades presentes estava Roberto Azevedo, recentemente eleito para presidir a Organização Mundial do Comércio.

Inacabado

Minutos antes da chegada da presidente Dilma, a reportagem circulou por todo o setor inferior do estádio, onde, na tarde de hoje, deverão ser acomodados 22 mil torcedores.

A obra segue inacabada. Parte dos banheiros está fechada, outros, já abertos, estão sujos, alguns deles ainda sem água nas torneiras. Parte das cabines dos sanitários estão sem trava. Os vidros que contornam o acesso dos torcedores seguem muito sujos.

Um dos operários que ainda trabalhava nos últimos retoques, disse que o estádio não poderia estar sendo inaugurado hoje.

"O estádio só vai estar no jeito na Copa do Mundo", disse.

Segundo ele, além de muita sujeira, todos os corredores internos ainda estão inacabados, banheiros apresentam problemas, e "o estacionamento ainda falta todinho".
 

continua após publicidade