Esportes

À espera do despejo, índios cantam e dançam

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 21 de março (Folhapress) - Índios que ocupam a área do antigo Museu do Índio, no Maracanã, promovem desde o início da manhã de hoje um ritual com cantos, danças e fogueira.

Eles prometem resistir à desocupação da área de forma pacífica. É uma mudança no discurso de dois dias atrás, quando a promessa era de "confronto" contra forças policiais.

Ontem, venceu o prazo para a reintegração de posse em favor do governo do Estado. O despejo, portanto, está autorizado a partir das 6h de hoje.

Por volta das 7h, homens da Polícia Militar chegaram a estacionar um carro na entrada no terreno, mas foram embora. A ação deve ser cumprida com a presença de pelo menos um oficial de Justiça

"Recebemos uma informação de que até sexta-feira não vão nos tirar daqui, porque o governo não tem um local adequado para nos levar. Estamos esperando, prontos para uma resistência pacífica, como sempre fizemos", disse Afonso Aporinan, um dos indígenas no local.

A Secretaria Estadual de Assistência Social nega o adiamento da ação.

Além de indígenas, simpatizantes e representantes de movimentos de direitos humanos ocupam o local, acessado por meio de uma escada. O único portão de acesso está fechado com cadeado e bloqueado com pedaços de concreto.

"Faltei ao trabalho porque me identifico com a causa. Fico impressionada como o governo ignora a cultura indígena e a causa deste lugar. Isso é um museu vivo, mas infelizmente os interesses econômicos se sobrepõem", afirmou a funcionária pública Tânia Suhett, que viajou de Angra dos Reis ao Rio para apoiar o movimento.

Parte de área da aldeia será usada para circulação de torcedores. O prédio, que abrigou o Museu do Índio até 1978, será reformado e receberá o Museu Olímpico, administrado pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro).
 

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