Esportes

Cabañas ganha status de maior celebridade

Da Redação ·
O jogador recebeu até visita do presidente Fernando Lugo
fonte: marcelfutbol.blog
O jogador recebeu até visita do presidente Fernando Lugo

Artistas, modelos, cantores, autoridades? Não, o nome mais comentado no momento no Paraguai é o do atacante Salvador Cabañas, de 29 anos, o camisa 10 da seleção. Desde o dia 25 de janeiro, quando levou um tiro na cabeça em um bar no México, o país vive um clima de comoção e de oração pela recuperação. Todos os dias o jogador estampa as manchetes dos principais jornais paraguaios e é assunto nas rodas de papos entre amigos.
 

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A frase "Fuerza Cabañas" (Força Cabañas) virou um slogan no Paraguai. São faixas de pequeno, médio e grande porte espalhadas por todos os cantos e adesivos em carros e janelas de residências e estabelecimentos comerciais. Também está escrita por diversos muros de Assunção e cidades vizinhas, como em Villa Elisa, onde o jogador tem um Centro de Treinamento para crianças e em Itauguá, onde moram os familiares do atacante.
 

"Cabañas é muito querido no Paraguai, uma pessoa sensacional, simples, humilde. Ele significa para a gente o mesmo que o Chilavert (ex-goleiro da seleção e grande ídolo de todos os guaranis). Todos estamos orando muito para a recuperação dele", afirmou o motorista Silvio Ramirez, que chega a se emocionar ao lembrar do drama pelo qual o jogador está passando.
 

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Com o senhor Narciso Carvallo o papo sobre o ídolo não é diferente. "Filho, fico até sem palavras para falar do Cabañas. Fiquei bastante abalado quando soube. Chorei, me deu uma tremedeira. Hoje, estou mais calmo, pois sei que ele está melhorando e não corre riscos. É nosso maior orgulho no momento", disse.

"A atual seleção do Paraguai é uma das melhores da história, mas, com certeza, vai perder muito com a ausência do Cabañas. Ele é experiente e um líder dentro de campo", ressaltou Gamarra, ex-zagueiro da seleção. "O Cabañas faz falta para qualquer time ou seleção do mundo. Ele é inteligente e goleador", endossou o ex-lateral Arce.
 

A prova de quanto Cabañas significa para seu povo vem das manifestações calorosas dos paraguaios. Até Fernando Lugo, presidente do país, fez questão de visitá-lo no México. Os pais do atacante, Basilia e Dionísio, a mulher María Alonso, e seu agente, José María, ficaram o tempo todo a seu lado no hospital
 

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ANSIEDADE - Nestes dois meses de recuperação, considerada surpreendente para quem tem uma bala alojada na cabeça, Cabañas já jogou pingue pongue, disse ao pai e ao irmão querer disputar a Copa do Mundo da África do Sul, em junho, e até fez questão de ver a radiografia de seu crânio.
 

Está ansioso para voltar aos treinos, mas dificilmente baterá uma bola ainda em 2010. "Ele vai voltar, isso é seguro. Mas a recuperação vai levar muitos meses. No momento, nossa maior preocupação é a de que ele fique bom, sem sequelas", informou Assunción de González, mulher de José María, agente do camisa 10.
 

Além das palavras de incentivo, todos os domingos há uma missa para a recuperação de Cabañas no Paraguai. Os padres do país, sem exceção, fizeram uma união de fé por um de seus filhos mais queridos. O estádio Defensores del Chaco, maior de Assunção, com capacidade para 37 mil pessoas, foi um dos palcos destas missas campais. No dia 26 de janeiro, uma terça-feira, logo após o acidente ter sido anunciado, os paraguaios, com bandeiras e vestidos com a camisa da seleção, lotaram o local para mandar energia ao ídolo.
 

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GAROTO-PROPAGANDA - Somando-se às várias frases de incentivo, é possível ver a foto de Cabañas espalhada por todos os cantos de Assunção. O artilheiro das Libertadores de 2007 e 2008 com o América, do México - o Flamengo até hoje não esquece da derrota por 3 a 0 na qual sofreu três gols do atacante gordinho e acabou eliminado em pleno Maracanã - é considerado bom moço e com imagem de vencedor e, por isso, encabeça diversas propagandas.
 

Cabañas aparece demonstrando celular, água, energético e também fazendo campanhas da seleção para a Copa do Mundo. São vários os outdoors espalhados pela cidade. Um, com três companheiros do atacante, é impróprio para o momento. "Vamos dar a vida", traz o cartaz, justamente o que os paraguaios menos esperam de Cabañas no momento. A união é pela recuperação do jogador e, quem sabe, por uma volta breve aos gramados, ainda uma incógnita hoje.