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Ex-pilotos de F-1 retornam a Interlagos para disputar prova de Endurance

Da Redação ·





Por Daniel Médici

SÃO PAULO, SP, 13 de setembro (Folhapress) - Onze ex-pilotos da Fórmula 1 se reúnem neste fim de semana em Interlagos para disputar uma prova internacional, as Seis Horas de São Paulo -entre os quais os brasileiros Lucas di Grassi e Enrique Bernoldi.

Dos estrangeiros, oito já correram o GP do Brasil de F-1. A corrida, que acontece no sábado, faz parte do Campeonato Mundial de Endurance (WEC, na sigla em inglês), e é realizada nos moldes das 24 Horas de Le Mans.

Os carros são idênticos aos que disputam a famosa corrida francesa, e são divididos em diferentes categorias de protótipos (mais velozes) e gran turismo (mais parecidos com carros de rua). Dois ou três pilotos se revezam em cada carro.

O campeonato é realizado pela primeira vez neste ano, mas seu antecessor, o WSC, teve seu primeiro ano em 1953 -a modalidade viveu seu período de ouro até os anos 1960, perdendo popularidade e trocando de nomes até ser extinto, em 1992. Cinco anos depois, foi retomada, sobrevivendo apenas até 2003.

Audi x Toyota

Este ano, a Audi, que já produz carros para Le Mans há 12 anos, chega ao Brasil como campeã, tendo vencido todas as quatro provas anteriores -os títulos são dados às equipes, e não aos pilotos. A Toyota, que estreou seu protótipo há três meses, porém, vem tendo um desempenho comparável ao dos alemães.

"Já faz alguns anos que eu corri em Interlagos pela última vez. Eu me lembro muito bem do traçado e isso certamente vai me ajudar a antecipar questões como acerto e comportamento do carro", disse Alex Wurz, ex-piloto da Williams e da McLaren, e que competirá pela Toyota.

"A pista foi reasfaltada depois que eu corri, mas vai ser interessante retomar o contato com ela e perceber como ela mudou", diz o austríaco.

Apesar da grande diferença entre os carros, Wurz acredita que a Toyota pode levar certa vantagem em relação à Audi por já ter corrido pela F-1 no autódromo paulistano. "Na nossa preparação, pudemos usar informações reais de telemetria, o que ajuda bastante. Não há muita informação de acerto que podemos transferir da Fórmula 1 para o protótipo, porque os carros têm pesos muito diferentes e comportamento de pneus diversos. Mas eu prefiro correr numa equipe que tem dez anos de experiência em Interlagos", completa o piloto.

David Brabham, que correu o GP do Brasil em 1994, concorda: "O F-1 é bem mais leve. Meu companheiro, Karun Chandhok, correu há pouco tempo na categoria e ele me diz que leva um tempo para se acostumar com um carro mais pesado".

Memóris

David, filho do tricampeão Jack Brabham e vencedor das 24 Horas de Le Mans de 2009, não se lembra ao certo da prova há 17 anos, na qual largou em último, pela estreante equipe Simtek, que iria à falência em 95.

"O primeiro GP de uma equipe é sempre complicado. Nós queríamos terminar a corrida e recolher o máximo de informação possível. E isso nós conseguimos, eu terminei a corrida", recorda Brabham.

"Não sei o quanto vai ser útil para mim a experiência daquela época. Não me lembro tão vividamente daquele GP, mas acho que, quando eu chegar no autódromo, dar uma volta na pista, as coisas vão reaparecer na minha cabeça. Talvez sirva como um atalho. Como eu já estive lá, não vou ter aquela sensação de estreia", afirma.

Coroado

Dos ex-F-1 que alinharão para seis horas de corrida no próximo sábado, o italiano Giancarlo Fisichella é o único que pode se gabar de ter vencido em Interlagos.

O GP Brasil de 2003 foi a primeira de suas três vitórias na categoria --pela fraca Jordan, o italiano deu sorte com a interrupção prematura da prova logo antes de realizar seu pit stop.

O piloto, porém, estará longe dos líderes da classificação geral --ele corre com uma Ferrari GT, mais lenta que os protótipos. Em sua classe, porém, ele tem colecionado bons resultados, inclusive vencendo as prestigiosas 24 Horas de Le Mans entre os gran turismo. Ele se diz contente em sua nova categoria.

"Além das diferenças técnicas e da duração das corridas, já que os pilotos correm verdadeiras maratonas, a atmosfera do Endurance é bem mais relaxada, há muito mais contato direto com o público", afirmou Fisichella.

A corrida tem sua largada no sábado, dia 15. Os ingressos à venda dão acesso também aos treinos de quinta e sexta em Interlagos.



6 HORAS DE SÃO PAULO

QUANDO: de 13 a 15/9, com abertura dos portões às 7h

ONDE: Autódromo José Carlos Pace (av. Senador Teotônio Vilela, 261; ingressos pelo site oficial )

QUANTO: de R$ 70 a R$ 180
 

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