Esportes

Daniel Dias vence 100m e deixa Londres com 6 ouros

Da Redação ·
O Brasil teve um penúltimo dia da Paralimpíada de Londres dourado, perto de confirmar a meta de terminar os Jogos em sétimo lugar. Neste sábado, aconteceu a consagração de Daniel Dias, que ganhou seu sexto ouro individual e teve a companhia de Shirlene Coelho, Dirceu Pinto, Maciel Santos e da seleção brasileira de futebol de cinco, todos campeões durante o dia. Oscar Pistorius brilhou em sua última corrida do programa, os 400 metros, e deixa Londres com duas medalhas de ouro e uma prata. Daniel Dias termina a Paralimpíada com o status de maior atleta do Brasil. O nadador atingiu sua meta de ganhar os seis ouros em provas individuais que disputou ao vencer nos 100 metros classe S5. Gostaria de também ter conquistado medalhas nos revezamentos, mas saiu da piscina mais do que satisfeito. Com a missão cumprida, o normalmente tranquilo nadador quebrou o protocolo para dar vazão às emoções. "Tive um ano muito difícil", lembrou o nadador com os olhos marejados. "Minha mãe passou por cirurgia (na tireoide, 15 dias antes dos Jogos), meu técnico teve de ser operado (problemas cardíacos) e tive treinar um mês sozinho, fora que eu perdi minha avó um mês antes da viagem para Serra Nevada", relembra. Mas, para ele, todo o sacrifício valeu a pena com a conquista das medalhas. "Acho que o sabor da vitória é ainda melhor por tudo isso." O nadador deseja que seu desempenho em Londres ajude a incentivar outras pessoas com deficiência no Brasil a se interessar mais por esportes. "Eu espero que apareçam mais atletas como eu." Embora quisesse conquistar o ouro em todas as suas cinco provas individuais, André Brasil, outro destaque da natação, também se disse satisfeito com os três ouros e as duas pratas que conseguiu. Seu desejo é que a torcida não o veja como pessoa deficiente, mas como atleta, e ele deixa sua mensagem: "Não tem olímpico e nem paralímpico. É natação." Muitas horas antes, porém, o País já comemorava novas medalhas. Pela manhã, a brasileira Shirlene Coelho conquistou o ouro no arremesso do dardo, classe F37/38. A atleta quebrou seu recorde mundial ao atingir 37.86 pontos. "É muita emoção. Esperei quatro anos para sair de uma de Paralimpíada com uma medalha de ouro e recorde mundial novamente", disse. "Na primeira (em Pequim/2008) teve recorde mundial, mas foi uma prata com gosto de ouro. Agora foi o ouro verdadeiro. A prata de Pequim estava engasgada, agora desengasgou total." Na sequência do atletismo, a seleção brasileira de futebol de cinco deu um show de técnica e sagrou-se tricampeã paralímpica ao vencer a França por 2 a 0, com gols de Bill e Jefinho. "Agora vai demorar 16 anos para alguém superar a gente", comemorou o autor do primeiro gol. Para Jefinho, foi uma das campanhas mais difíceis. "Antes do campeonato sofremos com problemas de lesões, mas dentro de quadra superamos estas dificuldades." Ricardinho, destaque brasileiro no campeonato ao lado do goleiro Fábio, foi um dos que tiveram de superar problemas físicos antes dos Jogos. "Na hora da dificuldade a gente mostrou que tinha brio para superar e conquistar os resultados." A bocha trouxe mais três medalhas ao Brasil: dois ouros e um bronze. Dirceu Pinto ganhou na BC4 ao derrotar o chinês Zheng Yuansen por 5 a 2. Na mesma categoria, Eliseu dos Santos foi bronze ao vencer o britânico Sthepen McGuire por 5 a 3. Maciel Souza Santos foi ouro na categoria BC2 ao vencer o chinês Zhiqiang Yan por 8 a 0. Para fechar a noite e as provas do atletismo no Estádio Olímpico, Oscar Pistorius e Alan Fonteles estavam na final dos 400 metros classe T44. O sul-africano sobrou na pista e ganhou a medalha de ouro com o tempo de 46s68. Fonteles ficou fora do pódio, mas o atletismo do Brasil deu sua colaboração ao quadro de medalhas com uma prata, de Lucas Prado, e um bronze, de Felipe Gomes, nos 100 metros classe T11. O vencedor foi o chinês Lei Xue.
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