Esportes

Orgulho move voluntários da Copa

Da Redação ·
Keogotsitse Mosai é sul-africano e irá trabalhar no setor de transportes na Copa
fonte: Levi Guimarães, enviado iG
Keogotsitse Mosai é sul-africano e irá trabalhar no setor de transportes na Copa

Centenas de pessoas - a maioria usando uniformes de futebol - formam uma fila. Essa cena poderia ter acontecido na entrada de um estádio, poucas horas antes de um grande jogo, mas o cenário de fundo era outro: o Centro de Convenções de Sandton, luxuoso e importante bairro comercial de Joanesburgo, a maior cidade da África do Sul.

continua após publicidade

Desde a última sexta-feira, cerca de 2600 pessoas passaram por três dias de treinamentos no local. São os voluntários que, durante os meses de junho e julho, trabalharão no estádio Soccer City, o principal da Copa do Mundo de 2010, que vai sediar a abertura e o encerramento do torneio, além de mais seis jogos.

São profissionais das mais diversas áreas, muitos estudantes e até alguns aposentados que viram no programa de voluntariado da Fifa e do Comitê Organizador Local (LOC) uma oportunidade de fazerem parte do maior evento esportivo já realizado no continente.

continua após publicidade

Durante o Mundial, essas pessoas vão ajudar a organização em 16 diferentes setores, incluindo apoio administrativo, recepção e informação aos turistas, tecnologia da informação e telecomunicações, auxílio com idiomas, logística, marketing, mídia, distribuição de ingressos, transporte e contato com os torcedores.

Em comum, além da vontade de fazer parte da Copa de alguma maneira, essas pessoas demonstram o orgulho de ver seu país sediar a competição de futebol mais importante do planeta. E a intenção de mostrar a face mais positiva da África do Sul para o resto do mundo.

“A Copa do Mundo está sendo sediada no nosso país e queremos fazer com que ela seja o mais bem sucedida possível. Estou esperando muita empolgação, muita festa, e é disso que quero fazer parte”, diz a dentista Farhana Cassim, que vai trabalhar na área de apoio administrativo.

continua após publicidade

Já a administradora de empresas Florence Mathatho comemora o posto de trabalho em uma Fan Park, já que assim poderá ter contato direto com milhares de torcedores. “Eu sou uma pessoa divertida, bem disposta, amigável, então quero ver muitas coisas e também aproveitar”.

“Sou sul-africana e me orgulho de ser sul-africana. Estive na última Copa do Mundo na Alemanha e pude ver como é importante o trabalho dos voluntários, então fiz questão de ajudar a receber as pessoas de todo o mundo e mostrar a elas a África do Sul”, completa.

Há também quem queira aproveitar a oportunidade também para mostrar o potencial africano a quem duvidava que seria possível organizar um evento do porte da Copa no continente. É o caso do administrador de servidores Keogotsitse Mosai, que trabalhará no setor de transporte.

continua após publicidade

“Existe uma percepção de que os africanos não são capazes de fazer a Copa. Eu quero colocar a África no mapa, essa é a principal razão. Fazer todos se sentirem em casa e também aprender a cultura de diferentes pessoas, vindas de diferentes países”, afirma.

O total de voluntários para a Copa de 2010 será de 21 mil. Os estrangeiros, três mil, ainda estão sendo selecionados. Mas entre os 18 mil residentes da África do Sul já escolhidos, também há aqueles que, apesar de não terem nascido no país, já adotaram a segunda nacionalidade. E pelo menos em um caso, nem a idade é obstáculo.

Aos 74 anos, o escocês Andrew Drummond será o voluntário mais idoso entre os que vão trabalhar no Soccer City. Morando no país desde 1964, o ex-mestre de obras, agora já aposentado, conta que começou a admirar o trabalho dos voluntários no outro grande evento esportivo do mundo.

" Em 2000 eu fui para a Austrália ver as Olimpíadas e o evento estava cheio de voluntários, usando aquelas jaquetas e sendo tão prestativos. Quando vi o anúncio nos jornais sul-africanos eu disse: ‘eu vou fazer isso’. Eu só quero ajudar as pessoas”, afirma.