Especial

Mais maduros e ativos

Da Redação ·
  Lunardelli se prepara para entregar monumento de Santa Rita de Cássia
fonte: Sérgio Rodrigo
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Na contramão do envelhecimento nos países desenvolvidos, o Brasil está ficando mais velho antes de enriquecer. Segundo o estudo “Envelhecendo em um Brasil mais Velho - Implicações do Envelhecimento Populacional para o Crescimento Econômico, a Redução da Pobreza, as Finanças Públicas e a Prestação de Serviços”, lançado nesta semana pelo Banco Mundial, a previsão é que, até 2050, o País tenha mais idosos do que o Japão, hoje a nação mais envelhecida no mundo.

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Em mais de 200 páginas, as estimativas do trabalho apontam que a população idosa brasileira se multiplicará nas próximas quatro décadas, saltando dos atuais 20 milhões para 65 milhões. Uma das principais causas desta mudança no perfil demográfico do País é a taxa de fecundidade, que caiu de mais de seis filhos por família nos anos 60 para a média de 1,9 filho nos últimos seis anos.


Mas, enquanto as pesquisas alertam para os efeitos negativos que esta perspectiva pode trazer para os setores da saúde, Previdência e economia brasileiras, parte da atual Terceira Idade já vem se mostrando muito mais ativa do que se pode imaginar.

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Em Apucarana, a coordenadora do Clube da Sabedoria, Maria de Lourdes Beneli, relata que, enquanto saudáveis, o lema dos 400 idosos membros da entidade é não ficar parado. “Vemos que eles tentam encontrar alguma ocupação, seja cuidando dos netos, arrumando um novo trabalho ou saindo para uma ginástica ou baile”, comenta.


Ela assinala que, entre passeios, viagens e participações em grupos, o perfil dos idosos na cidade apresenta alterações. “Hoje, não temos uma Terceira Idade acomodada como antes, que só ficava dentro de casa. Eles querem aproveitar mais do que a aposentadoria. Querem estudar, fazer amizades, estar ativos”, avalia.


O taxista Fabiano Martin sabe bem o que é isso. Aos 80 anos, ele não tem preguiça de levantar cedo e começar a fazer as corridas do dia. “Começo às 8 da manhã e não tenho hora para parar”, conta. Além de complementar a aposentadoria, Martin observa que ganha satisfação trabalhando. “Não consigo ficar parado em casa de jeito nenhum. Idade não é problema”, define.

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A artesã Conceição Aparecida Teixeira concorda com o taxista. Prestes a completar 70 anos, ela se diverte fazendo o que mais gosta. “Vendo tapetes, jogos, toalhas e peças bordadas”, diz ela, que costuma percorrer todas as feiras e festas da cidade expondo seu trabalho. Apesar de não ter conseguido se aposentar, Conceição acredita que estar ocupada é muito bom. “Se tivesse me aposentado, acho que estaria trabalhando do mesmo jeito”, brinca.


Novas adaptações e investimentos

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Entre as implicações do envelhecimento drástico brasileiro apontadas pelo relatório do Banco Mundial está a necessidade de aumentar gastos em saúde com a prevenção e o retardamento de doenças na população. Além da adaptação do sistema de saúde aos perfis epidemiológicos dos idosos, o estudo prevê que pode haver menos disponibilidade de ajuda familiar a pessoas com mais de 65 anos. Isso aconteceria devido à mudança nos valores familiares e da presença feminina no mercado de trabalho.

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Na área da economia, um Brasil mais idoso provocaria pressão no sistema previdenciário. Segundo o Banco Mundial, gastos com a previdência social, que representavam 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2005, podem ultrapassar 22% em 2050.


A expectativa é que a partir de 2020 o País já comece a sentir as mudanças deste processo demográfico. Será nesta época que a proporção entre dependentes e pessoas em idade ativa voltará a crescer, em função do aumento previsto do número de idosos na população geral.