Especial

Pole Dance Fitness: um exercício de sensualidade

Da Redação ·
   Ana Carla Braudaz: “As pessoas ainda confundem pole dance com strip”
fonte: www.edirleimarcioli.com.br
Ana Carla Braudaz: “As pessoas ainda confundem pole dance com strip”

O pole dance já é quase um velho conhecido das telespectadoras brasileiras. Na novela Duas Caras, exibida pela Rede Globo de outubro de 2007 a maio de 2008, a dança com mastro era apresentada com fortes apelos sensuais pela atriz Flávia Alessandra, intérprete da personagem Alzira, dançaria da modalidade, que deixava muitos marmanjos abobalhados em frente à telinha. Na época, muitas mulheres apostaram no fetiche para apimentar a relação. Três anos depois, a pole dance continua como sinônimo de sensualidade e ainda ganhou contornos fitness.


A mistura de dança com ginástica vem conquistando a cada dia mais espaço. Até as mais tímidas têm ousado nas aulas, segundo a professora de pole dance fitness Ana Carla Braganick Braudaz, 29 anos, de Rolândia. “Nós últimos meses, a procura aumentou muito. Algo em torno de 50%”, calcula. Formada em Educação Física, há dois anos ela conheceu a pole dance e decidiu incluir a atividade no currículo. Atualmente, ensina a modalidade em sua casa e também em Arapongas, Londrina e Maringá. “As meninas adoram. Depois de uns três meses, o corpo começa a ficar mais definido, porque inclui movimentos da ginástica olímpica, balé e dança contemporânea”, explica.


Segundo a educadora, a pole fitness desenvolve força dos membros superiores e inferiores, costas, região abdominal e tonifica todos os músculos do corpo. “Aumenta a flexibilidade e o equilíbrio”, acrescenta.


Além dos benefícios corporais, Ana garante que as alunas fazem as pazes com a autoestima. “Sem perceber, elas vão deixando a vergonha de lado e passam a se sentir mais confiantes”, observa. Os motivos que levam as alunas às aulas são vários. No topo da lista predominam o ‘agradinho’ ao marido e a boa forma. Em alguns casos, a ordem inverte. “Mesmo com foco nos exercícios, de vez em quando elas pedem uns toquezinhos sexuais”, confessa.


A maioria das frequentadoras é formada por mulheres entre 20 a 40 anos. “É quase uma exclusividade feminina, se não fosse por um aluno”, comenta. De acordo com Ana, a pole dance fitness também é praticada por crianças. “As mães trazem os filhos e eles se divertem”, diz.


Nova fase

Até 2006 praticamente não se ouvia quase falar em pole dance fitness, apenas em pole dance. “Os termos ainda confundem, mas são diferentes. A pole dance está mais ligada à dança, já o fitness à ginástica”, explica educadora física Ana Carla Braganick Braudaz.


Segundo ela, a mudança no nome foi necessária por causa da associação da pole dance ao strip-tease. “As pessoas já estão dissociando uma coisa da outra, mas algumas ainda deixam de fazer a modalidade por preconceito. Falta conhecimento”, avalia.


Ainda segundo ela, a associação acaba acontecendo por causa do uso de roupas curtas, como short e top. A pouca vestimenta se justifica, de acordo com Ana, porque para fazer os movimentos acrobáticos é necessário flexibilidade, e o uso de muitas peças atrapalha a aderência com a barra.


A professora pontua que a modalidade está evoluindo e ganhando a cada ano contornos mais profissionais. Prova disso, conforme a educadora física, são as competições realizadas pela Federação Brasileira de Pole Dance, como o Miss Pole Dance Brasil.


 

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Modalidade também ajuda a emagrecer


Joice Cristina durante a aula de pole dance fitness: “Autoestima mudou completamente”
A educadora física Joice Cristina da Silva, 22 anos, de Rolândia, pratica pole dance fitness há um ano. Neste período, perdeu cinco quilos e diminuiu três números no manequim. Feliz com o resultado, sua autoestima mudou completamente. “Estou mais motivada. Até as pessoas que convivem comigo perceberam a mudança. O astral é outro. Tenho mais disposição”, garante.


As aulas são muito prazerosas e descontraídas, segundo Joice. “Conheci a pole pela internet e televisão. Quando fiquei sabendo que aqui na cidade tinha aulas não restou dúvida. Fui até a escola e me matriculei. Afinal a pole é fitness”, frisa.


A dedicação é tanta que Joice decidiu comprar nos próximos dias sua própria barra para treinar em casa. Outro beneficiado com o equipamento, que custa entre R$ 450 e R$ 1 mil, será o namorado Gilberto Ribeiro de Lima Júnior, 23 anos. “Ele viu algumas fotos e gostou. Em breve, terá a oportunidade de ver ao vivo”, revela. O casal está junto há 5 anos e 6 meses.


 

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Ginástica e diversão


Michelle Cristina Fernandes Cunha, 31 anos, funcionária pública em Rolândia, é outra adepta da pole dance fitness há um ano e meio. Depois que começou a frequentar as aulas, a autoestima melhorou muito. “Além de atividade física, trabalha também a parte sensual, o que é muito bacana. É uma diversão”, considera.


Quanto ao aspecto sensual, a funcionária pública não hesita em afirmar que a pole dance fitness transmite mais confiança a mulher frente aos relacionamentos afetivos, porque, com o tempo, ela perde a inibição e consegue se soltar mais. Solteira, Michelle conta que nunca apresentou suas performances para ninguém. Entretanto, ela avisa que oportunidades não faltam.


Por mais que seja fitness, a imaginação masculina vai longe quando se menciona a palavra pole dance. “Quando falo que faço pole logo surge uma brincadeirinha. Depois entendem que não é striper, mas apenas uma atividade física com movimentos sensuais”, define.


Michelle conta que percebeu os braços mais firmes, e as pernas e abdome mais torneados após as aulas de pole dance. Ela também faz academia regularmente durante a semana.


A origem da técnica


A pole dance tem suas raízes no Mallakhamb indiano, atividade que consiste em movimentos de equilíbrio, flexibilidade e força realizados em um mastro. É uma espécie de ginástica milenar e ainda muito comum na Índia.


Centenas de vídeos no site You Tube comprovam a popularidade do esporte. As imagens mostram indianos em competições de Mallakhamb. Eles se apresentam em plena harmonia com o corpo, dando show de equilíbrio, força e elasticidade. As apresentações não têm tantos apelos à sensualidade.


Artigos sugerem que desde o século XII a modalidade é desenvolvida na Índia. De lá para cá já virou disciplina esportiva, praticada por atletas de luta livre. Passou pelas tendas de circo e até nos bares dos anos 50.


Os primeiros registros da pole dance como é conhecida hoje surgiram em 1968, com a performance de Belle Jangles no clube de strip-tease Mugwump, em Oregon (EUA). Entretanto, a pole dance moderna começou a ser documentada somente a partir da década de 1980, no Canadá.


No Brasil, a pole dance apareceu com mais ênfase após o ano 2000. A partir de 2006, para desvincular dos apelos sensuais, criou-se a pole dance fitness.