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Eles venceram sozinhos a luta contra a balança

Da Redação ·
Redução de medidas é luta diária de muitos brasileiros
fonte: Divulgação
Redução de medidas é luta diária de muitos brasileiros

A busca pela perfeição física e intelectual move gerações, principalmente as mulheres. Por um corpo escultural, elas enfrentam intervenções cirúrgicas e dietas drásticas. Correspondem, segundo a nutricionista Sabrina Ribas, de Apucarana, por 85% dos pacientes que procuram seu consultório. A faixa etária está na casa dos 24 a 40 anos. O desejo é perder em média de 5 a 10 quilos. Os homens também procuram, mas não para perder peso, e sim ganhar massa muscular, de acordo com a profissional. Interesses distintos, mas com uma única finalidade: ficar de bem com o espelho e com o ego. Longe dos consultórios, a luta para emagrecer e sentir-se bem com o próprio corpo também tem adeptos. Eles e elas superaram o sedentarismo e ganharam uma vida mais saudável. Confira como Danielle Prado e do João Carlos Fonseca, ambos de Apucarana, conseguiram perder mais de 15 quilos sozinhos! “Voltei a me olhar no espelho”

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Quando o manequim 42 ficou pequeno, a manicure Danielle Roseane dos Santos Prado, 31 anos, de Apucarana, sentiu que era hora de mudar radicalmente sua alimentação. Decidida, em 8 meses perdeu 15 quilos, sem acompanhamento profissional. De 66 quilos na balança, passou para 51. Informação e determinação foram as palavras-chave para manter uma dieta equilibrada e reduzir os quilinhos que tanto a incomodavam. “Comecei a pesquisar na internet e em revistas especializadas dicas para conseguir emagrecer”, conta a manicure. Depois de um apanhado de instruções, Danielle começou a sua reeducação alimentar por conta própria. “Inseri fibras nas refeições. Também passei a tomar mais água durante o dia. Tirei refrigerante, doces e frituras”, relembra. Em pouco tempo percebeu os resultados da disciplina. “Os primeiros 15 dias foram os mais difíceis, por causa da ansiedade. Mesmo assim, consegui perder 8 quilos sem exercícios físicos”, recorda. Para alcançar o objetivo ainda faltavam 7 quilos. Quatro meses depois do início da dieta, Danielle começou a frequentar academia de segunda a sexta-feira e praticar corrida aos domingos, no Lago Jaboti. Em julho de 2010, a manicure chegou ao peso considerado ideal por ela: 51 quilos. “Voltei a me olhar no espelho. Doei todas as minhas roupas. Quando estava acima do peso não sentia nem vontade de me arrumar. Não gostava de tirar fotos nem de comprar roupas. Agora é bem diferente: uso regata tamanho PP”, orgulha-se. De bem com o corpo e com o espelho, a auto-estima voltou a reinar. Até a filha Maria Julia Prado Figueiredo, 7 anos, notou a mudança. Segundo Danielle, antes de perder os 15 quilos, a filha a chamava de “mamãe gordona”. Atualmente, a mãe virou referencial de beleza. “Hoje ela me chama de mamãe linda”, confidencia. Com 1,58 metro de altura, ela mantém o manequim 36 há cerca de 10 meses com musculação e aeróbica todos os dias da semana, e caminhadas aos domingos. Além dos exercícios, Danielle leva em sua bolsa sempre uma fruta ou barra de cereal. “Comer de forma fracionada e saudável já faz parte da minha rotina. Até chocolate tem espaço no cardápio, mas só de vez em quando e apenas um quadradinho”, pontua. A manicure afirma que nunca pensou em recorrer aos remédios emagrecedores. “Via as pessoas emagrecendo e depois engordando tudo de novo, e cada vez mais ansiosas. Não queria algo passageiro. Precisava de uma mudança definitiva, até porque minha família tem casos de diabetes e hipertensão”, afirma. A saúde foi mais um resultado, segundo Danielle, vindo do bem-estar estético. “Antes sentia dores no joelho por causa do sobrepeso. Agora sinto o meu corpo mais leve e saudável”, garante. “Complexo de gordo ficou no passado”

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O auxiliar de serviços gerais na área de logística, João Carlos da Silva Fonseca, 20 anos, de Apucarana, deixou a fase ‘gordito’ na adolescência. Aos 16 anos, com 1,73 metro de altura e 88 quilos, ele passava os dias em frente ao videogame. Isso até o brinquedo preferido pifar, em 2006. Sem nada para ocupar suas tardes e incomodado com seu corpo, João Carlos começou a correr no Lago Jaboti todos os dias. Aliás, correr passou a ser seu esporte predileto. Em um ano e meio depois do início das atividades físicas, o auxiliar de serviços gerais passou de 88 quilos para 65. O manequim encolheu quatro números. Com isso, mostrar o físico já não era mais um problema. “Quando era adolescente não tirava a camiseta e nem foto por nada”, relembra. Agora a história é outra. “Em dias de verão ando só de bermuda tranquilamente pelas ruas ou na praia. O complexo de gordo ficou no passado”, afirma. Por causa do trabalho e dos estudos, faltou tempo em 2008 para João Carlos continuar sua maratona contra a balança. Um ano e dois meses parado resultou no ganho de seis quilos. “Fazia trilha de bicicleta e corria apenas em alguns finais de semana. Aí não teve jeito, os ponteiros da balança voltaram a subir”, diz. Quando era adolescente, o auxiliar de serviços gerais também fazia trilha. Saia de ‘bike’, com os amigos, de Apucarana e ia até Novo Itacolomi e Rio Bom. “Isso não perde peso. É preciso regularidade e comprometimento”, avalia. A perda de peso, João Carlos conquistou sozinho. “Alguns amigos até se animavam nas primeiras vezes, mas logo desistiam. Por outro lado, é melhor quando corro sozinho porque mantenho o meu ritmo”, pontua. Atualmente, ele voltou a correr regularmente todo fim de tarde no Lago Jaboti. Como aquecimento, João Carlos caminha do Núcleo Habitacional João Paulo até a orla do lago. Vaidoso, o auxiliar de serviços gerais também frequenta a academia todos os dias. “Quero definir e ganhar um pouco mais de músculo”, admite. Para ajudar nessa nova tarefa, ele vai se render aos conhecimentos de um nutricionista. “Acho que o auxílio de um profissional vai facilitar, porque além da parte estética me preocupo com a saúde”, frisa. Com os pais diabéticos e hipertensos, João Carlos quer um destino diferente. “Para chegar ao futuro saudável preciso fazer algumas mudanças agora, como alterar a minha alimentação”, observa. Maior vilão é a correria, diz nutricionista

Emagrecer é o desejo de muitos. A determinação faz a diferença, mas a avaliação de um profissional não fica atrás. Para a nutricionista Sabrina Ribas, de Apucarana, o emagrecimento é um processo em que se deve somar dieta balanceada, ou seja, um equilíbrio entre a quantidade de calorias ingeridas e gastas. Além disso, a prática de exercícios físicos para ajudar no gasto calórico e no bem-estar. Olhando assim até parece ser tarefa fácil. Entretanto, conciliar essas mudanças com a rotina é missão quase impossível. “O maior vilão é a correria do dia a dia, porque leva as pessoas a não ter horários para as refeições nem qualidade no que ingerem. Por isso, muitos acabam compensando em uma única refeição tudo o que não comeram durante o dia todo”, avalia. Outro bicho-papão da balança são as refeições fáceis e rápidas, como lanches e pizzas, que têm alto valor calórico. A desistência se torna algo comum, segundo a nutricionista. Um dos fatores apontados pela profissional é a ansiedade, falta de colaboração dos familiares e de disciplina. Quando se consegue vencer essa etapa e perder os quilinhos a mais é hora de manter. Para isso, é necessário, conforme Sabrina, continuar com os hábitos saudáveis adquiridos durante o período da dieta e a prática de exercícios físicos. O perigo das dietas drásticas e dos remédios emagrecedores De acordo com Sabrina, os riscos variam de acordo com cada dieta radical. Por exemplo: retirar totalmente carboidratos da dieta, pular refeições, substituir alimentos por shakes ou sucos fazem a pessoa perder bastante peso em pouco tempo, no entanto, a maioria desse peso perdido é músculo e água. “Quando se perde muito músculo, o corpo passa a trabalhar mais devagar (metabolismo lento) para poupar energia. Por isso é comum quando se perde peso rapidamente, voltar a ganhar de forma rápida também”, explica. Além disso, ela acrescenta que ao restringir muito a alimentação, há perda de vitaminas e minerais, que causam fraqueza, cansaço, sonolência, entre outros sintomas. “Não existe um cardápio que sirva para todos. Alguns sites oferecem essa opção, mas tem que ficar atento, porque não há um profissional responsável, o que pode ocasionar danos ao organismo diante da restrição de nutrientes”, alerta. Risco Junto com as dietas drásticas na busca pela redução do tamanho do manequim estão os medicamentos para emagrecer. Outro perigo, de acordo com a nutricionista. “Os inibidores de apetite podem trazer riscos à saúde se não indicados e acompanhados de forma correta”, pontua. Segundo ela, é indicado tentar primeiro emagrecer com ajuda de nutricionista e do profissional de educação física, além de um psicólogo. Só depois, se o paciente não apresentar melhora significativa e tiver doenças relacionadas à obesidade, como hipertensão, diabetes e problemas emocionais, a equipe de profissionais deverá encaminhá-lo a um especialista para que este indique o medicamento mais apropriado. “A indicação profissional evita prejuízos à saúde”, afirma. O uso indiscriminado fez a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) propor, recentemente, banir a comercialização de inibidores de apetite que contenham em sua composição sibutramina e os chamados anorexígenos anfetamínicos.