Especial

Curso forma especialistas em café

Da Redação ·
 Participantes do curso aprendem a classificar diferentes tipos de café
fonte: Delair Garcia
Participantes do curso aprendem a classificar diferentes tipos de café

Produtores rurais de Grandes Rios estão participando de um curso de classificação física e degustação de café promovido pelo escritório local do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-Pr), em parceria com o Sindicato Rural Patronal. O treinamento tem duração de 260 horas e reúne, nesta primeira edição, oito agricultores, além de um comprador de café e um representante da indústria de torrefação. O curso começou no dia 7 de fevereiro e vai até meados de abril, com aulas teóricas e práticas diariamente, porém em semanas alternadas. Segundo o engenheiro agrônomo Nelson Menolli Sobrinho, especialista em degustação de café do Emater, o treinamento visa dar condições aos cafeicultores para que eles conheçam as técnicas de identificação do tipo de café que eles próprios estão produzindo em suas propriedades.

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Com isso, na hora de vender a safra, eles podem saber com antecedência a qualidade do produto que estão entregando aos compradores, sem serem explorados, eventualmente, com descontos no preço de venda por causa de supostos defeitos nos grãos e na bebida. Da mesma forma, sabendo de todos os critérios de qualidade dos grãos, eles podem caprichar melhor na produção, principalmente nas fases de colheita e secagem.


Outro objetivo do curso é formar novos especialistas em classificação e degustação de café, uma vez que o mercado regional está carente destes profissionais. Hoje, no Vale do Ivaí, que inclui as regiões de Apucarana e Ivaiporã, existem apenas seis profissionais nesta área. Os participantes do curso ainda poderão ser multiplicadores do conhecimento junto aos demais cafeicultores na comunidade onde vivem.

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Grandes Rios é considerado um dos maiores produtores de café da região. Na safra de 2010, foram colhidas 77 mil sacas de café beneficiado, a segunda maior da história do município. A primeira foi em 1999, quando foram registradas 96 mil sacas. Hoje, o município conta com cerca de 630 produtores de café entre proprietários e meeiros.


Identificação da qualidade
é feita com muito critério

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O curso que está sendo ministrado em Grandes Rios, segundo o agrônomo Nelson Menolli Sobrinho, do Emater, segue as normas da Classificação Oficial Brasileira (COB), que tipifica o café numa escala de defeitos que vai do tipo 2 ao 8. Quanto mais defeitos, pior é o tipo, no caso o 8.


Menolli salienta que existem defeitos externos ao café, como presença de torrões, paus e pedras, chamados de defeitos extrínsecos. E há os intrínsecos, que fazem parte direta do café. Esses dão ao grão aspecto feio e transferem gostos estranhos ao cafezinho. Exemplos práticos são os grãos pretos e ardidos. 

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E existem os defeitos intermediários, como grãos chochos ou em forma de conchas, verdes e pretos verdes, que podem queimar no processo de torrefação e amargar a bebida. (EC)

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Produtor busca conhecimento


Um dos participantes do Curso de Classificação Física e Degustação de Café, em Grandes Rios, é o produtor Rogério Pirolo, 35 anos, do Sítio São Pedro, localizado no bairro Ivaizinho. A propriedade tem 7,5 alqueires, dos quais 6,5 com plantação de café. Rogério Pirolo diz que sempre cobrou do Emater a realização de um curso desta natureza, para poder saber que tipo de café está produzindo no sítio. “Isso ajuda muito a gente na hora de fazer negócio”, afirma Pirolo, que também quer ser um especialista em classificação e degustação de café para, eventualmente, atuar neste ramo de trabalho. (EC)

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Espécies e bebidas de café


Existem seis tipos de café produzido no Brasil de acordo com as regiões e a qualidade dos grãos: o Conilon (produzido em Rondônia e Espírito Santo) e o Arábica (em diversas regiões do País). O Conilon é um café neutro, praticamente de uma bebida só.


Dentro do Arábica se destacam as seguintes bebidas: Rio Zona (de qualidade baixa e gosto de terra); Rio (um pouco melhor, porém com forte odofórmio); Riado (é um pouco mais leve que o Rio); Duro (tem adstringência, ou seja, é um pouco amarrento e de sabor estranho); Mole (é o melhor café, ou seja, não tem adstringência, não tem sabor estranho e tem doçura).