Especial

Centro de Apucarana é palco de festival de infrações

Da Redação ·
Estacionamento em local proibido: uma das infrações mais comuns
fonte: Delair Garcia
Estacionamento em local proibido: uma das infrações mais comuns

Trafegar com viseira aberta, estacionar em local proibido, parar na faixa de pedestres. Quem anda pelo anel central de Apucarana se depara com um festival de infrações de trânsito Para checar esta realidade a reportagem da Tribuna acompanhou guardas municipais em uma ronda de 40 minutos na área central. A constatação foi surpreendente. Só em um lado da Praça Rui Barbosa e da Avenida Curitiba, no começo da ronda, verificamos sete irregularidades. A maioria das infrações são carros e motos estacionados incorretamente. Ao longo dos 40 minutos, foram 21 infrações constatadas.

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No retorno à sede da Guarda Municipal, na Praça Rui Barbosa, observamos os veículos que entravam na praça. Em um minuto constatamos dois motoristas e um passageiro que não usavam cinto de segurança e, quatro motociclistas estavam com a viseira do capacete aberta, neste caso uma infração gravíssima e que resulta em suspensão imediata da habilitação.


“Nós temos agido com bom senso, e todos os guardas são orientados para isto. Porque se fossemos multar todas as irregularidades cada agente faria não quatro, mas até 40 notificações por dia”, disse o comandante da GM, Maurício Mello. No mês passado, a guarda lavrou 120 multas de trânsito, uma média de 4 por dia.

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Dos 33 guardas municipais, 20 foram capacitados em curso de trânsito do Detran e podem atuar como agentes de trânsito. Como o trânsito foi municipalizado, eles têm esta autonomia.


Neste caso a arrecadação fica no município. Quando a penalidade é aplicada pela Polícia Militar, o valor é dividido como Estado. “Nosso objetivo não é notificar. Se acontece é porque o condutor agiu em desacordo com a lei, porque cometeu infração”, frisa Mello.


O ex-policial rodoviário, justifica a não aplicação severa da legislação. “Hoje temos que ser sensatos em tudo. Se a infração cometida não coloca ninguém em risco, geralmente relevamos. Pode ter certeza, que da média de quatro multas aplicadas por dia, nós fizemos 10 orientações e, não aplicamos a multa. Mas se constatamos reincidência não há perdão, porque se torna abuso”, frisa.

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Mello diz observar que a maioria das infrações, que não oferecem risco iminente, ocorrem por distração. “Tem motorista que está com a cabeça em outro mundo. Outro dia parei um motoqueiro aqui na praça Rui Barbosa, sem o capacete. Ele havia saído de um estacionamento e esqueceu do capacete, que estava no compartimento da moto. Não multei, a advertência fez ele acordar”, exemplificou o comandante da Guarda Municipal.


No ‘patrulhamento’ que fizemos com a GMA a reportagem flagrou duas irregularidades no mesmo local. Na rua Osvaldo Cruz, um motorista estacionou na saída de veículos do Palácio do Comércio e outro se aproveitou da situação para estacionar sobre a beirada da calçada. Todo o local é em faixa amarela. “É este tipo de coisa que acontece”, observa o guarda. Questionado sobre a falta de estacionamento o agente de trânsito argumentou que não serve como justificativa, contudo, a comunicação pode não resultar em punição. “Tem motorista que nos pede para autorizarmos paradas rápidas em um local ou outro, se não tiver risco liberamos. É preciso que haja bom senso e entendimento entre nós e eles”, observa.

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Dez mortes em dois meses

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O prefeito João Carlos de Oliveira (PMDB) reforçou o uso do bom senso na atuação dos agentes de trânsito. “A arrecadação com multas não representa nada no orçamento do município. O que queremos é o respeito à lei e assim ter segurança no trânsito”, afirmou o prefeito. Apesar das orientações o trânsito continua fazendo vítimas. Nestes dois meses do ano, 10 pessoas morreram em acidentes, no perímetro urbano e rodovias do município.


Em 2010, só nas ruas da cidade foram 13 mortes. Esta violência fez o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), Polícia Militar e Prefeitura anunciaram nesta semana mais uma campanha de conscientização. “Vamos advertir e orientar por um período. Se os resultados continuarem negativos as autoridades vão aplicar a lei no rigor”, avisou o presidente do Conseg, Rildo Galeriane Nascimento.

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Ponto de observação

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No tempo que a reportagem da Tribuna e a Guarda Municipal observaram os veículos em passagem pela praça Rui Barbosa foram observados, ainda, motoristas falando ao celular, sem o cinto de segurança, motos com farol apagado e motociclistas trafegando com a viseira aberta. Este tipo de infração é mais comum.


Até mesmo trabalhadores que dependem do veículo, como mototaxistas e entregadores vacilam e abusam da sorte. O Código de Trânsito do Brasil (CTB) pontua como gravíssima esta infração, assim como pilotar com o farol apagado, mesmo durante o dia. Estas duas irregularidades resultam na suspensão imediata da habilitação, e consequentemente a impossibilidade de dirigir. “Como fica a situação de uma pessoa que depende de um veículo para trabalhar, um motorista profissional, sem a habilitação?!”, questiona Mauricio Mello, da Guarda Municipal. Por isto, antes de aplicar multa, paramos o motoqueiro para fazer esta checagem”, garantiu Mello.


O motorista Donizete de Oliveira, de Jandaia do Sul, foi parado porque estava sem o cinto de segurança. Apesar de ter sido surpreendido com a abordagem da Guarda Municipal apoiou o serviço. “Estou errado. Vejo que isto tem que ser feito mesmo. No meu caso, na correria, saí do banco e esqueci de colocar o cinto. Mas não tinha rodado nada, saí do outro lado da praça”, justificou.


Infrações mais cometidas

- estacionamento irregular- na faixa de pedestre; grave- 5 pontos; multa R$ 127,69
-estacionamento vaga de deficiente; leve- 3 pontos; multa R$ 53,00
- falar ao celular- média- 4 pontos; multa R$ 85,13
- viseira aberta- gravíssima- 7pontos, multa R$ 191,54, suspensão da CNH
- farol moto apagado- gravíssima- 7 pontos, multa R$ 191,54 suspensa CNH
- farol moto queimado- grave- 5 pontos