Especial

Museu em sítio guarda recordações dos agricultores

Da Redação ·
 Produtor Rural Luiz Riello e seu filho Devanil Riello mantêm museu em Cambira
fonte: André Henrique Veronez
Produtor Rural Luiz Riello e seu filho Devanil Riello mantêm museu em Cambira

Um antigo barracão onde se criava bicho-da-seda, na zona rural de Cambira, se transformou num empório de antiguidades que vem chamando a atenção de escolas, faculdades e universidades da região. É o museu da família Riello que, apaixonada pelo campo e saudosa das coisas antigas, decidiu instalar um espaço cultural no próprio sítio como forma de resguardar o passado do homem rural.


No museu há cerca de 400 peças usadas por antigos agricultores, seja no trabalho da roça, seja no cotidiano e aconchego do lar. Do velho carroção de boi com quatro rodas à engenhoca de cana, ao moinho de fubá e até ao tradicional puxador de água do poço com sarilho, ali podem ser encontrados de tudo que já passou pelas mãos das famílias rurais.


Por trás de toda esta organização está o produtor rural Luiz Riello, 70 anos, e seu filho Devanil Aparecido Riello, 41. É no Sítio São Vicente, de propriedade da família, no Bairro Bela Vista, distante cinco quilômetros da cidade, que está este grande acervo memorial do sertanejo.


“O que nós queremos com este simples espaço é resgatar a memória dos antigos e mostrar para as futuras gerações o quanto era difícil a vida no meio rural numa época em que quase tudo era manual”, diz Devanil Riello, que nasceu no Sítio São Vicente e ali continua vivendo. Segundo ele, o que o museu guarda são coisas de valor agregado, que mexem com o sentimento de todos aqueles que viveram no campo quando não havia tecnologia para quase nada.


A lista do acervo é bastante grande. Ali estão, por exemplo, além do carroção, roda e arado de carro de boi, debulhador de milho, pilão de triturar milho e socar café em coco, torrador de café, banadeira, usada para processar cereais, bigual de carregar água, chuveiro de balde, bombas manuais de água com puxador de corda, mijolo de tirar água da mina com cascata, serra manual de madeira e trançadeiras manuais de cortar tora, plantadeiras manuais, separadoras de pluma de algodão, banca de bater arroz, máquinas manuais de costura, rádios das décadas de 30 e 40, ferro à brasa de passar roupa, lampiões a querosene, relógio despertador, malas de roupas feitas de papelão, armadilha de pegar animais selvagens e até bolas de bocha fabricadas em madeira.
 

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Maioria do acervo é constituída de doações


Segundo o agricultor Luiz Riello e seu filho Devanil Riello, pelo menos 70% das peças do museu instalado no sítio São Vicente, em Cambira, são provenientes de doações feitas pela comunidade local, por empresários e pessoas de outras cidades ou estados. Outras foram adquiridas. “Hoje, muitas peças antigas têm um grande valor no mercado, por isso, quem tem não vende de jeito nenhum ou, se acontecer, acaba vendendo para quem tem interesse em ornamentar fazendas”, diz Devanil.


O sr. Luiz Riello faz questão de mostrar uma roda de carro de boi vinda do Paraguai e uma pá de colocar pão no forno à lenha proveniente da Itália. Com saudades, ele vai lembrando do seu passado difícil. Ele mora no sítio desde 1940.


O museu da família Riello é aberto à visitação pública e tem atraído a atenção de escolares e professores. Uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) esteve no espaço cultural, recentemente, para conhecer e fazer estudos das peças. (EC)


Propriedade ecológicae de aspecto religioso


O museu de antiguidades não é a única atração no Sítio São Vicente, em Cambira. A propriedade de 8,5 alqueires, onde a família Riello cultiva lavouras de grãos como soja e milho, se destaca pela preservação da natureza.


Quem chega ao sítio é como estivesse entrando num paraíso. A entrada que dá acesso às casas onde moram Luiz Rielo e o filho Devanil Rielo é margeada por lindas palmeiras de diferentes espécies, com pássaros sobrevoando as suas bodas. Em ambos os lados, árvores nativas e frutíferas ornamentam o meio ambiente. No acesso duas grutas chamam a atenção. Uma delas é a de Nossa Senhora de Fátima, trazida do Monte das Oliveira, em Portugal, por diretores da empresa Forquímica e doada à família Riello. Outra é a de Nossa Senhora Aparecida, trazida de Aparecida do Norte por um parente. (EC)