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Vento pode ser alternativa de energia

Da Redação ·
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fonte: Graffo
Vento pode ser alternativa de energia

A energia utilizada na antiguidade para mover velas de embarcações cheias de desbravadores ou mesmo fazer funcionar pás de moinhos de trigo poderia ser aproveitada hoje em Apucarana. É o que aponta um estudo desenvolvido por acadêmicas da Faculdade de Ciências Econômicas de Apucarana (Fecea). Com ventos de até sete metros por segundo, o município, conforme a pesquisa que rendeu um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado à banca de Administração Pública, é uma das poucas localidades paranaenses com o privilégio de ter como viável a construção de uma usina eólica.

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Uma das autoras da pesquisa, a estudante Izabela Ribeiro de Caldas, explica que o estudo constatou que Apucarana tem potencial e capacidade suficientes para implantar uma usina cuja maior matéria-prima são os deslocamentos de massa de ar. “No eixo Londrina a Maringá, a nossa cidade é a que mais se destaca, de acordo com o mapa eólico do Paraná”, comenta.


A energia produzida, conforme ela, poderia ser transformada em eletricidade, bem como ser agregada à rede administrada pela Companhia Paranaense de Energia (Copel). Por outro lado, o empreendimento também poderia estimular a economia local e o desenvolvimento sustentável.

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“Além da geração de empregos e tributos para Prefeitura, haveria menos poluição ao meio ambiente”, avalia.
O orientador do estudo, o professor de Administração Marcos Bueno, da Fecea, também analisa que a possibilidade de contar com recursos inesgotáveis faz da energia eólica uma alternativa bastante atrativa para Apucarana. “É um projeto de futuro, que já está sendo usado em outros países e seria muito útil em tempos de crise energética. A adoção em Apucarana faria a cidade pioneira no assunto”, argumenta.


Ele assinala que, além de não gerar resíduos, usinas eólicas ajudam a reduzir a emissão de gases do efeito estufa na atmosfera. A energia ainda pode ser considerada mais barata em relação às fontes mais tradicionais. “Os investidores ainda obteriam créditos de carbono para negociação na bolsa de valores”, sustenta.

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Projeto piloto em Palmas

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Apesar de inicialmente elevados, os investimentos para a implantação de uma usina eólica são compensadores, segundo a aluna Millany Francisco, uma das autoras da pesquisa. Ela destaca que um projeto piloto já está em curso em Palmas, município no Sudoeste com as áreas habitáveis mais altas do Paraná. A cidade tem um parque eólico com 2,5 megawatts de potência. “Sabemos que usinas com 30 megawatts exigiriam em torno de R$ 120 milhões. Mesmo assim, a usina não pede áreas muito grandes para ter sua base instalada”, pontua ela, ao lembrar que, se a velocidade do vento for alta e o preço da energia a ser vendida for bom, o retorno pode ser considerável.

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A instalação de cada aerogerador demandaria uma área de pelo menos 10 metros quadrados de diâmetro. Entre as áreas apontadas pela pesquisa como viáveis para a instalação de uma usina eólica, em função da altitude elevada, estão as regiões do Residencial Cazarin, Jardim Interlagos e próximo à Sociedade Rural de Apucarana. A.L.

Produção em rede nacional


Conforme a acadêmica de Administração Pública da Fecea Millany Francisco, uma vez tendo potencial na cidade e interesse em investir neste campo energético, as etapas para a implantação de um parque eólico começariam pela determinação de uma área propícia a receber o empreendimento. Além de uma estação de medição de vento com altura próxima a do eixo do rotor dos aerogeradores, seria preciso negociar com proprietários de terras o direito de uso do espaço por arrendamento ou compra.“Qualquer um pode ser o investidor, basta ter condições para os investimentos e acesso às linhas de créditos oferecidas pelo governo”, salienta.


Toda a energia gerada também poderia ser direcionada ao consumo em qualquer parte do sistema elétrico interligado nacional. “Isso ajudaria a suprir a demanda que a Copel tem pelo menos em Apucarana”, observa. l A.L.