Especial

Sonho interrompido

Da Redação ·
Em toda gestação corre-se o risco de 20% de perder o bebê
fonte: Reprodução
Em toda gestação corre-se o risco de 20% de perder o bebê

A interrupção da gravidez é um momento traumático e angustiante para as mulheres que sonham em ser mãe. Recentemente, a cantora Lilly Allen, grávida de seis meses, perdeu seu bebê, provavelmente por uma infecção viral, segundo o jornal britânico Daily Mail. É a segunda gestação interrompida da artista. Este episódio traz à tona o drama do aborto espontâneo. “Toda mulher, quando fica grávida, tem 20% de chance de perder o bebê durante os três primeiros meses”, avisa o ginecologista de Apucarana, Ribamar Maroneze, 35 anos.
 

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Quando ocorre o abortamento, o primeiro sentimento é de culpa. Depois vem a necessidade de saber a causa, diz o especialista. Entretanto, segundo o ginecologista, são as alterações cromossômicas as responsáveis por 80% dos casos de abortos. “Quando acontecem erros genéticos graves incompatíveis com a vida, o organismo acaba rejeitando”, afirma o médico.
 

De acordo com ele, as anomalias cromossômicas não têm relação com óvulo ou espermatozóide defeituoso. “A formação humana é muito mais complexa. Não é culpa de um ou de outro”, frisa Maroneze. O ginecologista sustenta ainda que o índice de aborto não aumenta após os 35 anos, como muitos imaginam. “A gestação de risco pode ter uma série de complicações, aumentando as anomalias, mas não necessariamente o aborto”, esclarece.
 

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O aborto espontâneo é comum. Prova disso é que muitas mulheres nem percebem que passaram por um, principalmente nas primeiras semanas de gestação. “Às vezes pensam que foi apenas um simples atraso menstrual”, pontua Maroneze. O abortamento sempre ocorre acompanhado de sangramento com cólica, alerta o ginecologista. “Quando a mulher perceber algo de anormal, deve procurar o médico imediatamente. O maior problema do aborto, seja espontâneo ou provocado, é a infecção, que pode levar a mulher à morte ou à infertilidade”, ressalta Maroneze.
 

Conforme o médico, caso uma mulher passe por um aborto, não significa que em uma segunda gestação as chances de perder o bebê aumentarão. “A probabilidade é sempre a mesma em cada gestação”, garante. Em alguns casos, segundo Maroneze, investiga-se a possibilidade de as causas serem maternas.
 

HÁBITOS SAUDÁVEIS
 

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Além das anomalias cromossômicas, favorecem ao aborto doenças como diabete, infecção ginecológica, problema hormonal e o hábito de vida da mãe. “O uso de drogas, cigarros e bebidas alcoólicas são prejudiciais ao desenvolvimento do feto, principalmente nos três primeiros meses, quando ocorre toda a formação dos órgãos do bebê”, assinala o ginecologista.
 

Maroneze recomenda à mãe adotar uma rotina saudável, com exercícios físicos, alimentação nutritiva e dormir no mínimo oito horas por dia. “A mulher necessita de uma atenção especial até 12 semanas, para evitar que haja o aborto. Também é indispensável o acompanhamento do pré-natal durante toda a gestação”, aconselha o ginecologista. Ainda de acordo com Maroneze, após 15 semanas, as chances de acontecer um aborto diminuem em até 85%.


Quando ocorrer um aborto é indicado esperar de 4 a 6 meses para fazer uma nova tentativa. “É o tempo necessário para o organismo se restabelecer e ficar pronto para uma nova gestação,” salienta. Segundo ele, o índice de abortos não tem apresentado alterações, mesmo com a mudança do padrão de vida atual. “A literatura médica não registrou oscilação de números nesse aspecto”, observa.


Três abortos até a chegada de Rebecca

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Rebecca Sauss da Silva, 3 anos, com a mãe Sheila Meli Sauss da Silva, 46 anos: final felizA auxiliar de serviços gerais Sheila Meli Sauss da Silva, 46 anos, de Apucarana, passou por três abortos espontâneos consecutivos até conseguir ser mãe da pequena Rebecca Sauss da Silva, 3. “Foi maravilhoso ouvir o chorinho, ver o rostinho dela. É a nossa maior alegria”, afirma a mãe, com os olhos marejados.

 

Casada com o professor de inglês Paulo César Filisbino da Silva, 52, Sheila teve a primeira gestação interrompida em 2003. Na época com 39 anos, ela morava na Inglaterra. “Foi difícil, fiquei bastante chateada, porque desejava muito ser mãe. Estava naquela expectativa de ouvir o coraçãozinho bater e veio a notícia que o bebê não estava se desenvolvendo”, relembra.

 

Depois de cinco meses, já no Brasil, ela e o marido decidiram tentar novamente. Sheila conta que procurou um médico e fez todos os exames necessários. “Estava tudo certo comigo. Fiquei grávida, mas foi outro baque”, afirma. Desta vez, porém, a recuperação tornou-se mais ‘fácil’, por estar perto da família. “O apoio deles e a fé em Deus foram determinantes para não desistir”, detalha.

 

Em 2005, o casal fez a terceira tentativa. “Fiz o ultrassom, ouvi desta vez o coraçãozinho batendo. Foi fantástico, mas uma semana para completar três meses aconteceu um sangramento e não teve jeito. O cordão umbilical não havia se formado direito”, recorda.

 

Mas Sheila não desistiu do sonho de ser mãe. No ano seguinte, aos 42 anos, engravidou novamente. “Foi uma gestação cercada de cuidados. Saía de casa só para fazer o pré-natal e ir à igreja, e cuidava muito da alimentação também. No final, recebi de Deus este presente chamado Rebecca”, comemora.