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Da cocaína ao pódio: a vitória de um lutador

Da Redação ·
Ciclista é campeão regional máster e corre por equipe de Santa Bárbara do Oeste-SP, além de ser monitor de adolescentes no Cervin
fonte: Jornal de Rolândia/Reprodução
Ciclista é campeão regional máster e corre por equipe de Santa Bárbara do Oeste-SP, além de ser monitor de adolescentes no Cervin

O ciclista Ed Carlos Masson, 34 anos, disputa em outubro a fase final dos Jogos Abertos de São Paulo, umas das mais fortes competições do Brasil. Ed Carlos compete pela equipe de Santa Bárbara do Oeste, que ficou em segundo lugar na fase regional disputada em Lins, em julho. “Consegui uma medalha de prata na velocidade olímpica, um bronze na prova de velocidade de 200 metros e um quinto lugar na prova de circuito”, lembra o ciclista. Esses resultados classificaram sua equipe e a equipe de Piracicaba para a fase final, que será em Santos.

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Além das competições disputadas em São Paulo, Edinho, como é chamado, começou a correr também na categoria master e já se tornou campeão regional, pois venceu as três primeiras etapas deste campeonato. “Venci em Londrina, Maringá e Campo Mourão, tudo antes da copa. Agora falta a prova de Paranavaí”, revela.

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Ed Carlos mora em Rolândia há pouco mais de um ano – atualmente é monitor de adolescentes no Cervin (Centro de Recuperação Vida Nova). O atleta treina todos os dias e fica de duas a três horas pedalando. Isso equivale a quase 100 quilômetros diários. Além disso, Edinho vai à Academia Fitness, na Vila Oliveira, onde fortalece seu corpo para suportar os esforços. Quem o vê agora, nem imagina que o ciclista passou 16 anos envolvido com drogas, desde maconha até cocaína, passando pelo terrível crack.

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Maconha, cocaína e crack
Ed Carlos tentou ser jogador de futebol e chegou a treinar em clubes de São Paulo. Depois veio para o Paraná, treinou em Rolândia e mudou-se para Arapongas em 1991, com 16 anos de idade. Foi nessa épica que começou a beber, cerveja no início, depois experimentou a maconha. Aos 19 anos conheceu a cocaína e, aos 24, foi apresentado ao crack, droga que o consumiu durante oito anos de sua vida. Mesmo viciado, Edinho começou a treinar ciclismo de estrada, influenciado pelo pai, João Rubens Masson, falecido em janeiro deste ano e ciclista famoso. “Para se ter uma ideia, meu pai correu cinco vezes pela seleção brasileira na década de 1970”, recorda-se Edinho.

Perto da morte
O consumo do crack levou o ciclista “ao fundo da fossa”, como ele mesmo dia, “já que poço tem água limpa”. Como sempre devia para o “boqueiro”, ele tinha que ganhar as corridas das quais participava para saldar a dívida e frequentemente era ameaçado de morte. As overdoses também o deixaram muitas vezes próximo à morte. Chegou um momento em que não podia correr mais, pois sua bicicleta ficou empenhorada na “boca”.

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É possível parar
Segundo ele, sua vida mudou no dia 11 de setembro. Sua mãe, Maria Aparecida, foi até a boca com Ed Carlos, que se comprometeu a se internar se ela retirasse a bike. Ele se internou no Cervin e fez o tratamento por seis meses.

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“O internamento foi uma bênção na minha vida, pois vi que Deus realmente tinha um propósito para mim”, recorda-se. Depois do tratamento, ele foi a permanecer como voluntário para trabalhar com adolescentes e, um ano depois, foi contratado como monitor de adolescentes, função na qual trabalha até hoje. 


Em 2008, Ed Carlos voltou a se dedicar ao ciclismo para tentar dar alegria aos pais. “Eu tinha passado 16 anos dando apenas dores de cabeça à minha família”. Com o treinamento e a volta da alegria de viver, os bons resultados começaram a chegar. O ciclista venceu duas etapas no Torneio de Verão de Santos, em fevereiro de 2009, uma competição de nível nacional. Esses resultados lhe valeram um convite para correr pela Dataro, de Curitiba.

Na Dataro, Edinho foi campeão regional individual em 2009. Das cinco etapas da competição, Ed Carlos ganhou em Londrina, Paranavaí e chegou entre os primeiros nas outras três – o que lhe valeu o título. Neste ano, Ed Carlos foi convidado a correr pela equipe de Santa Bárbara.

Sobre as drogas, ele diz que é possível parar e alerta: “Quem parou, deve ter consciência que foi dependente químico e que deve renunciar ao álcool e ao cigarro também, que podem levar às outras drogas, ditas ilícitas. E muito cuidado com as chamadas velhas amizades, evite-as, pois elas podem levá-lo a velhos caminhos”, aconselha.