Especial

PM de Apucarana participará de missão da ONU no Sudão

Da Redação ·
 Tenente Sacchelli passou por treinamentos no Rio de Janeiro
fonte: Arquivo Pessoal
Tenente Sacchelli passou por treinamentos no Rio de Janeiro

O Sudão, a maior nação do continente africano, vive em petição de miséria e violência. As guerras civis entre cidadãos sudaneses de diferentes religiões há décadas já vem deixando centenas de milhares de mortos e um rastro de fome, órfãos e feridos. É neste contexto permeado por conflitos e desafios de sobrevivência que oficial do 10º Batalhão da Polícia Militar (BPM), de Apucarana, o 2º tenente Allan Paulo Bassaco Sacchelli, de 30 anos, deve cumprir uma missão pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Com embarque previsto para o mês que vem, Sacchelli é o único militar do Paraná a ser enviado para o Sudão em uma missão das Forças de Paz da ONU. Para integrar a United Nations Police (Unpol), a Polícia da ONU, ele passou por uma seleção com 32 oficiais de todo o Brasil. “Apenas oito foram aprovados e puderam ser treinados”, relata.
 

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Os inscritos foram submetidos a testes de língua inglesa e francesa, compostos por fases de escrita, conversação e audição, tiros, direção defensiva de viaturas 4x4 e avaliação psicossocial.


Com o conhecido 'capacete azul', utilizado pelas forças de ajuda humanitária, Sachelli deve desenvolver durante um ano na região sul do Sudão um trabalho de observação junto a oficiais de outras nacionalidades.

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“Cada uma das missões de paz organizadas pela ONU tem uma característica diferente. No Sudão, os policiais são enviados para orientar e preparar a polícia local. Além disso, vamos verificar se os direitos humanos são respeitos, bem como se os acordos firmados entre o país e a ONU são seguidos”, explica. Na constatação de violações, o oficial sustenta que os casos deverão ser reportados à sede das Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos.


Apesar dos confrontos entre muçulmanos e cristãos, o tenente acredita que a experiência será edificante. “Sei que o Sudão vive uma guerra entre a região sul e norte. Mas, será algo inédito para mim, já que é a primeira vez que represento o Estado em uma missão como esta. Vou poder ajudar outras pessoas e conhecer uma nova cultura”, salienta.

 

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Treinamento no Rio de Janeiro


 

A preparação do 2º tenente Allan Paulo Bassaco Sacchelli para incorporar a United Nations Police (Unpol) durou aproximadamente um mês. Os treinamentos aconteceram em maio, no Centro de Instrução de Operações de Paz (Ciopaz), do Exército Brasileiro, no Rio de Janeiro. Houve cerca de 186 horas de aulas práticas, além de instruções em contêineres.
“Tivemos aula sobre condução de viatura para terrenos mais acidentados, primeiros socorros, rádio comunicação, estrutura da ONU, entre outras disciplinas”, conta o militar.
Sacchelli relata que entre os oito oficiais que participaram do curso estavam dois coronéis de Brasília, um major de Alagoas, um capitão de Pernambuco, um tenente de São Paulo, um tenente da Bahia e dois tenentes do Paraná. “Destes últimos, eu fiquei designado para o Sudão e o outro tenente, que é de Ponta Grossa, para o Haiti. Os demais oficiais brasileiros já embarcaram para o Timor Leste”, comenta. (A.L)
 

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Apreensão da família

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Deixar os familiares para enfrentar o desconhecido, ainda que seja em uma missão humanitária, não deixa de causar receio. “Se existe uma missão de paz em determinado país é porque há conflitos e situações de perigo”, pontua o tenente Allan Paulo Bassaco Sacchelli.
Mesmo assim, ele assinala que já está preparando a família, a fim de não deixar os parentes preocupados até o seu retorno ao Brasil, previsto para ocorrer em meados de 2011. “Tem pessoas que pensam que os problemas do Sudão e de outros países não nos dizem respeito. Se não é nosso problema, por que ir? Não vejo desta forma, mas também pela grande experiência de vida”, avalia. (A.L)

 

Seleção é rigorosa
 

Para participar das Operações de Paz das Nações Unidas (ONU), os policiais militares devem preencher a uma série de requisitos, como ser voluntário, oficial com mais de sete anos de oficialato, ser fluente em língua estrangeira, ter boas condições físicas e psicológicas, habilitação para veículos 4X4 e habilitação em armas de porte.
Os processos seletivos são realizados duas vezes ao ano pelo Exército, através da Inspetoria Geral das Polícias Militares (IGPM). Em geral, as provas acontecem em Brasília, Belo Horizonte e em capitais do Nordeste e Sul do País. (A.L.)