Especial

Viagra barato pode gerar uso indevido

Da Redação ·
Mesmo antes dos genéricos chegarem às farmácias, Viagra registrou queda drástica de preço
fonte: Delair Garcia
Mesmo antes dos genéricos chegarem às farmácias, Viagra registrou queda drástica de preço

Com os primeiros genéricos do Viagra chegando nesta semana ao mercado, as autoridades de saúde têm pela frente mais uma batalha: combater o uso indevido da pílula azul estimulado pela redução no preço dos comprimidos. Em Apucarana, a quebra da patente do medicamento contra disfunção erétil, detida até então pelo laboratório Pfizer, fez com que as farmácias alterassem os valores cobrados antes mesmo do lançamento do genérico.

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Em alguns estabelecimentos, cada pílula, que custava cerca de R$ 38, passou a ser vendida por R$15. Já a caixa com quatro comprimidos, comercializada antes a R$ 123, agora passou a valer pouco mais de R$ 60.
“Essas mudanças fizeram com que a procura aumentasse ainda mais”, comenta o atendente de farmácia Paulo José da Costa. A expectativa, segundo o farmacêutico Antônio Oklener, é que com a entrada dos genéricos no mercado, esse preço sofra mais alterações. “O valor deve ficar abaixo disso ou em algo semelhante”, pontua.
Ontem, o grupo detentor dos laboratórios EMS anunciou que o genérico da pílula azul deve ser vendido até 35% do valor do remédio fabricado pela Pfizer, o equivalente a R$ 10.


O urologista Hélio Shindy Kissina alerta, no entanto, que o uso do Viagra e seus genéricos necessita de orientação médica. “O grande problema desta utilização indiscriminada é a perda de controle”, diz.
Ele explica que existem pessoas que recorrem ao medicamento mesmo sem necessidades clínicas. “É neste ponto que temos o chamado uso recreativo. Jovens, na maioria dos casos, tomam o remédio durante ‘noitadas’ e fazem associação da pílula com drogas”.

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O risco a estes usuários, segundo o médico, não está apenas nos efeitos colaterais, como dor de cabeça, visão anormal, rubor facial e congestão nasal. “Não existem contradições absolutas, mas sabemos que o Viagra, além de não ser indicado para portadores de problemas cardíacos, pode causar dependência psicológica. As pessoas podem achar que o desempenho sexual está condicionado à pílula”, sustenta. Kissina adverte ainda que nem todos os casos de disfunção erétil dependem de tratamento com o Viagra. “Há situações que podem não responder tão bem a esse remédio, mas sim a outros. Por isso, é sempre bom ter aconselhamento médico”, define.

Revolução sexual para terceira idade

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Lançado no Brasil em 1998, o Viagra é indicado para homens com dificuldades para obter e manter ereções. Somente no ano passado, cerca de 7 milhões de comprimidos foram vendidos pela Pfizer no país. O medicamento já é comercializado em 125 países e é um sucesso de vendas em todo o mundo.
“Quando foi lançado, o remédio foi considerado uma verdadeira revolução na saúde sexual da terceira idade. Mesmo assim, é preciso ter controle em seu uso”, diz o urologista Hélio Shindy Kissina.


Outros 21 medicamentos também devem ter a patente expirada neste ano, no Brasil. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o gasto do brasileiro com remédios patenteados é 40% superior ao com genéricos. Existem no país 96 medicamentos com moléculas patenteadas, o que resultou em um faturamento de R$ R$ 3,1 bilhões em 2008.