Especial

"Quero todo mundo pelado", diz Pablo Escobar em texto de peça colombiana

Da Redação ·

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, SP, 5 de julho (Folhapress) - O traficante colombiano Pablo Escobar (1949-1993) gostava de festas. Foi em uma delas, nas cercanias de Medellín, que ele sacou uma arma e disse aos convidados: "Quero todo mundo pelado, agora; vou contar até três e matarei aquele que não tirar a roupa". Quem conta essa história é o músico Danilo Jiménez, que atua na peça "Discurso de un Hombre Decente", da companhia Mapa Teatro, que abriu ontem a programação do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto. O espetáculo será reapresentado hoje, e chega a São Paulo nos dias 10 e 11, no Sesc Vila Mariana. Jiménez foi testemunha da situação imposta por Escobar durante o referido baile. Ele se recorda de que, enquanto todos os convidados tiravam a roupa, a arma foi apontada em sua direção: "Os músicos também, quero todos pelados". E a ordem foi atendida prontamente. O depoimento de Jiménez faz parte do texto da peça "Discurso de um Hombre Decente", cujo mote principal é um debate sobre a luta contra o tráfico de drogas, com mais foco na cocaína. "Queríamos problematizar o tema da legalização das drogas, mostrando que, definitivamente, a guerra contra as drogas é um fracasso", diz Heidi Abderhalden, codiretora do espetáculo. O discurso político não se fecha, durante a peça, em polarização do tipo "a favor ou contra". Faz menções a fatos que ganharam destaque na imprensa. Cita os problemas que o jogador de futebol argentino Diego Maradona passou por vício, fala ainda do frequente uso da droga nos estúdios de Hollywood e das pesquisas levadas ainda hoje pela medicina. As informações são, em geral, baseadas em documentos reais. Mas, durante o espetáculo, elas se mesclam a criações livres. "Inventamos, por exemplo, um discurso presidencial [que teria sido escrito] por Pablo Escobar. É um texto inspirado na imagem de um resto de papel que encontraram em um bolso dele quando ele foi morto", conta Heidi.  

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