Especial

Lula engavetou redução de tarifas, diz Beto Richa

Da Redação ·
Imagem ilustrativa da notícia Lula engavetou redução de tarifas, diz Beto Richa
fonte:
Lula engavetou redução de tarifas, diz Beto Richa

Em entrevista ao portal Terra – um dos maiores noticiosos na internet com 27 milhões de visitas únicas -, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB) conta ao repórter Carlos Ohara que a proposta apresentada por Dilma para desonerar os custos do transporte no País é a mesma feita por prefeitos ao ex-presidente Lula, em 2005.

“A desoneração das tarifas do transporte coletivo por meio da redução da carga tributária, encampada pelo governo federal após a pressão das manifestações populares das últimas semanas no País, já havia sido proposta e referendada com estudos técnicos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva há quase oito anos” – escreve Ohara. Leia a seguir a íntegra da matéria.

A desoneração das tarifas do transporte coletivo por meio da redução da carga tributária, encampada pelo governo federal após a pressão das manifestações populares das últimas semanas no País, já havia sido proposta e referendada com estudos técnicos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva há quase oito anos.

A estratégia de reduzir ou eliminar impostos que compõem o custo do setor por meio de um pacto envolvendo o governo federal, Estados e municípios – como foi proposto na semana passada pela presidente Dilma Rousseff – é a praticamente a mesma apresentada ao ex-presidente na “Carta de Curitiba”, documento assinado por prefeitos de capitais e grandes cidades brasileiras em 2005 na capital paranaense.

O então prefeito de Curitiba e atual governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), em entrevista ao Terra, lembra que o documento chegou nas mãos de Lula. “Apelamos para a sensibilidade do ex-presidente, mas ficamos sem resposta alguma”, afirmou Richa, ressaltando que um dos signatários do documento era o prefeito de Belo Horizonte na época e atual ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. O governador tucano disse não entender porque o documento ficou engavetado durante anos e as mesmas propostas são apresentadas agora como a solução para a redução das tarifas.

continua após publicidade
confira também


Carta de Curitiba

Ao assumir a prefeitura da capital paranaense em 2005 para o primeiro mandato, Richa instituiu uma comissão de estudos para avaliar as tarifas do transporte público. No relatório final do órgão, foi apontado que era possível a redução do preço das passagens em até 25% do valor praticado por meio da desoneração da carga tributária.

Apresentado aos prefeitos, o estudo se transformou na base da Carta de Curitiba, que solicitava a redução ou isenção da cobrança de uma lista de tributos (Cide, Cofins, PIS, ICMS e ISSQN) nos custos de insumos para empresas de transporte urbano e apelava para um pacto anti-imposto envolvendo prefeituras, Estados e a União.

O documento ainda sugeria a criação de um fundo permanente de recursos destinado exclusivamente para construção e ampliação da infraestrutura de transporte coletivo urbano de média e alta capacidade. Mesmo com o engavetamento da proposta, parte das sugestões foi colocada em prática em Curitiba. O ISSQN cobrado pela prefeitura foi estipulado em 2%, percentual mínimo permitido em nível nacional. O preço da passagem na capital paranaense foi reduzido de R$ 1,90 para R$ 1,80.

Em março deste ano, o governo do Paraná criou condições para reduzir o valor das tarifas em 18 cidades do Paraná que estavam sob gestão estadual, isentando o ICMS sobre o óleo diesel em conjunto com prefeitos. “Essa medida foi colocada em prática de forma espontânea, sem pressão e antes de qualquer manifestação”, disse Richa.

Com a isenção, a redução atingiu valores variáveis entre R$ 0,05 à R$ 0,15 no preço das tarifas nas maiores cidades do Estado. Com a isenção do imposto, o Paraná abriu mão de uma receita estimada em cerca de R$ 38 milhões anuais.

O Terra entrou em contato com vários órgãos do governo federal para comentar as declarações do governador Beto Richa. Em Brasília, foram contatadas as assessorias de comunicação do Ministério da Fazenda, do Ministério do Desenvolvimento e da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. Oficialmente, o governo preferiu não se manifestar.