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Bloqueadores de sinal vão acabar com conversas telefônicas na prisão

Da Redação ·
Equipamentos interferem na transmissão de frequência celular na carceragem
fonte: Delair Garcia, da Tribuna do Norte
Equipamentos interferem na transmissão de frequência celular na carceragem

A 17ª Subdivisão Policial (SDP) de Apucarana vai instalar nos próximos dias aparelhos bloqueadores de sinal de celular no Minipresídio. Os equipamentos já foram adquiridos após os testes apontarem eficiência na área de segurança sem interferência na comunidade vizinha. O sistema vai impedir a comunicação de presos com cúmplices e também a aplicação de golpes telefônicos.

O investimento de R$ 19,5 mil em cinco aparelhos é do Conselho da Comunidade. Cada bloqueador custou R$ 3,9 mil e será protegido por uma caixa metálica para evitar vandalismo.

A Polícia Civil espera acabar com dois problemas crônicos na unidade: a entrada de celulares na cadeia e a comunicação dos presos através dos aparelhos com comparsas do lado de fora.

“Isto vai refletir em maior segurança para a carceragem e para a comunidade, porque grandes crimes são coordenados de dentro da cadeia”, diz o delegado chefe da 17ª SDP, Valdir Abrahão.

Ele destaca que o problema não é só local. “Sabemos que partem de dentro dos presídios, não somente do nosso, mas no país todo até nas penitenciárias federais, ordens para que se cometam homicídios, tráfico, sequestros, roubos”, completa o delegado chefe.

O policial reconhece ser difícil evitar a entrada dos aparelhos, já que centenas de telefones já foram encontrados entre os pertences dos presos nas operações de vistoria realizadas frequentemente. Somente em 2012 foram cerca de 200 aparelhos apreendidos. “Então bloqueando o sinal, isto vai deixar de acontecer”, avalia.

No ano passado, um auxiliar de carceragem foi preso suspeito de permitir a entrada dos telefones e drogas para os presos. Ele receberia entre R$ 300 e R$ 500 por aparelho e carregadores entregues. Um policial militar também foi preso, mas solto por falta de provas.

“O não funcionamento dos celulares vai desestimular a iniciativa de alguém tentar enviar ou corromper servidor público para que entregue aparelhos aos presos”, diz o delegado.

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Os bloqueadores de sinal foram adquiridos de uma empresa de Campinas, que desenvolveu o software bloqueador de frequência em área limitada. “Os testes foram bem sucedidos e não impedem, por exemplo, que na delegacia e no prédio da Ciretran se fale ao celular. Os vizinhos terão sinal normalmente”, explica o delegado chefe.

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Desde 2011 era intenção do Judiciário e da 17ª SDP impedir a comunicação dos presos através de celulares, já que não as medidas para impedir que eles tenham acesso aos equipamentos foram falhas.

“O que dificultava é que não existia uma tecnologia que não interferisse no sinal dos moradores vizinhos. No ano passado descobrimos os bloqueadores desenvolvidos por esta empresa, que limitam o sinal em apenas uma pequena área, e deu certo”, diz o presidente do Conselho da Comunidade, advogado Paulo Vital.

De acordo com ele, o Conselho da Comunidade recebe e investe recursos oriundos de penas pecuniárias e multas aplicadas pelo Judiciário Criminal, em prol da segurança pública.