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Ator se empolga com papel homossexual em 'Ti-ti-ti'

Da Redação ·
 André Arteche vive o cabeleireiro Julinho na trama de 'Ti-ti-ti'
fonte: TV Press
André Arteche vive o cabeleireiro Julinho na trama de 'Ti-ti-ti'

A possibilidade de interpretar um personagem gay chegou a assustar André Arteche. Tanto que a insegurança foi o primeiro sentimento do ator de 26 anos ao receber o convite para viver o bondoso cabeleireiro Julinho de Ti-ti-ti. Isso até mergulhar no universo do personagem e descobrir que, na contramão do tom exagerado da novela, ele seria um homossexual diferente dos estereótipos comuns na TV, sem trejeitos, roupas chamativas ou veia cômica. "O produtor de elenco me ligou e disse: 'André, tenho um personagem para você e ele é gay'. Tive um bloqueio. Nunca havia pensado em viver um homossexual. Passado o susto, fui ver como o Julinho era e fiquei encantado", recordou, entre muitos elogios ao atual trabalho.

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Na trama de Maria Adelaide Amaral, Julinho é o melhor amigo da mocinha Marcela, interpretada por Ísis Valverde. O cabeleireiro teve um começo dramático na história, quando seu namorado Osmar, vivido por Gustavo Leão, morreu em um acidente de carro. A repercussão alcançada pelo personagem até hoje deixa André surpreso. "Outros atores já fizeram homossexuais na TV. Não pensei que fosse ser uma novidade tão grande. Acho que o diferencial do Julinho é mostrar algo mais natural, sem afetação", defendeu o ator, que no início da novela conversou muito com Gustavo Leão para encontrar o tom do casal. "Não queríamos fazer uma coisa insossa ou uma relação sem sensualidade. As pessoas tinham de entender que eles se gostavam, só que de forma delicada. Acho que o casal cativou, porque ouvi muitos pêsames nas ruas", divertiu-se.

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Para construir o personagem, André conta que não precisou ir muito longe. Buscou características em comum em amigos, conhecidos e, principalmente, na namorada. "É engraçado porque o Julinho tem muita coisa parecida com ela, e não com um amigo gay", contou. Mas, na hora de criar os trejeitos, o ator destaca que preferiu não correr atrás de referências ou se inspirar em uma pessoa específica. "O jeito de falar, andar e se comunicar eu deixei surgir a partir do momento em que começamos a preparar as cenas. Tudo apareceu naturalmente em função das características internas dele", explicou.

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Com quatro anos de carreira na TV, tempo em que atuou em três novelas e uma minissérie, André ganhou destaque após viver o indiano Indra na novela Caminho das Índias. O personagem, um jovem tímido vítima de bullying, fez sucesso ao se envolver com a fogosa Norminha, de Dira Paes. Abordado nas ruas até hoje para falar do indiano, o ator garante que nunca teve medo de ficar marcado pelo papel. "Já ouvi muito nas ruas 'olha, o Indra virou gay'. É engraçado. Não me incomoda porque foi um trabalho que me trouxe muita segurança como ator", avaliou, confessando que teria mais medo de se lançar na TV com um personagem como o Julinho. "Ficaria mais preocupado se tivesse feito um homossexual antes de Caminho das Índias. Acho que poderia ter me marcado mais. Agora as pessoas já conhecem um pouco do meu trabalho", analisou.

Após emendar dois personagens de sucesso em novelas da Globo, André vibra por conseguir mostrar sua versatilidade em pouco tempo de TV com papéis tão diferentes. "Quando os diretores sentem que você pode ir para vários lados, acabam chamando. É algo que a gente vai provando a cada trabalho. Mas também tem o fator sorte que envolve a carreira de ator", ponderou.

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Certeza tardia


Durante muito tempo, a carreira de ator foi uma dúvida para André Arteche. Apesar de ter começado a trabalhar aos sete anos de idade fazendo comerciais, ele garante que só se sentiu seguro na profissão depois dos 23 anos, quando atuou na minissérie Amazônia ¿ De Galvez a Chico Mendes, na Globo. Antes disso, o ator chegou a cursar seis anos da faculdade de Jornalismo, sem nunca sair do 2º período. "Fiquei dos 18 aos 24 anos estudando a mesma coisa. Ia e voltava por causa do teatro. Aí percebi que tinha algo errado e abandonei", contou ele, que depois passou a emendar vários trabalhos como ator. "Achava a profissão difícil e tinha medo da instabilidade, mas depois disso fiquei mais confiante e vi que não quero outra coisa", garantiu.

Agora, André também tem planos de investir na carreira de escritor. E prepara a realização de um musical infantil escrito por ele para o teatro. "Sempre escrevi. Aí foi evoluindo de crônicas para colunas, esquetes, até que surgiu a ideia de um musical. Falta definir muitas coisas, mas estou animado", avisou.