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Falta de informação prejudica portadores de marca-passo

Da Redação ·

O advogado Edilson Avelar, de 53 anos, ficou oito anos sem ir às sessões de sauna de que ele tanto gosta. Os culpados pela mudança de hábito foram uma parada cardiorrespiratória que ele sofreu em julho de 2002, o marca-passo que passou a utilizar depois isso e a falta de informações sobre o uso adequado do aparelho.

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Um estudo desenvolvido em uma clínica particular de Vitória, no Espírito Santo, demonstrou que muitos pacientes portadores de marca-passo consideram que o aparelho os impede de realizar diversas atividades que, na verdade, eles estão aptos a fazer.

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De acordo com os resultados da pesquisa, dentre os 198 pacientes entrevistados, 27% julgam que fazer sexo é inadequado após a implantação do marca-passo, 30% evitam dormir sobre o lado em que está o aparelho, 42% deixam de andar de bicicleta, 46% evitam usar o computador com internet, 47% acham arriscado nadar na praia, e o mesmo percentual evita o telefone celular, 58% não fazem esportes de recreação ou academia e 75% acreditam que fazer sauna não é seguro, dentre outros resultados.

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Segundo o coordenador da pesquisa, o médico Jorge Elias Neto, da Clínica do Ritmo e especialista da Sobrac (Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas), apesar de os pacientes receberem orientações sobre o que podem e o que não podem fazer após o implante, muitos não se sentem seguros. Com isso, ao abandonar atividades que poderiam melhorar a qualidade de suas vidas, eles abrem a porta para uma série de doenças, como depressão.

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- Não adianta agregar tecnologia aos aparelhos se os pacientes não estão informados e aptos a usar adequadamente o marca-passo. Isso é impactante porque interfere na qualidade de vida do indivíduo, como caminhar ou ir à praia. Com o passar do tempo, pode causar uma série de outras doenças.

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No caso de Edilson, ele só voltou às sessões de sauna em junho passado – oito anos após implantar o marca-passo – e depois de uma atitude simples: perguntou ao seu médico se havia alguma restrição.

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- Tinha deixado de fazer a sauna porque, como o aparelho é subcutâneo, achava que iria esquentar e podia danificar. Mas resolvi perguntar ao meu médico e vi que não tinha problema.

De acordo com o cardiologista Martino Martinelli, professor da USP (Universidade de São Paulo) e diretor da Unidade Clínica de Estimulação Cardíaca do Incor (Instituto do Coração), as limitações desses pacientes não são impostas pelo marca-passo, mas, sim, pela doença que levou à implantação do aparelho.

- Se o indivíduo tem um coração de tamanho normal e sem doença, ele pode fazer tudo o que as demais pessoas. O marca-passo está lá para permitir que ele possa fazer mais coisas.