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Físicos do LHC relatam colisões inéditas entre partículas

Da Redação ·
 Localizado em um túnel de 27 km de extensão sob a fronteira entre a França e a Suíça, o LHC começou a processar partículas em novembro de 2009
fonte: Getty Images
Localizado em um túnel de 27 km de extensão sob a fronteira entre a França e a Suíça, o LHC começou a processar partículas em novembro de 2009

Cientistas que trabalham no maior acelerador de partículas do mundo anunciaram nesta terça-feira (21) a descoberta de um fenômeno nunca antes observado em sua busca por elucidar os maiores segredos do universo.

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Depois de quase seis meses de exploração do Grande Colisor de Hádrons (LHC), as experiências começam a revelar "sinais de fenômenos potencialmente novos e interessantes", anunciou o Cern (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear), em seu site na internet.

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Trata-se, particularmente, do fato de que "certas partículas são intimamente ligadas, de uma maneira que nunca foi observada nas colisões de prótons".

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A novidade foi explicada pelo físico Guido Tonelli durante apresentação a colegas cientistas do Cern.

- O novo fenômeno apareceu em nossas análises em meados de julho.

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Tonelli alertou sobre o fato de que os resultados precisam ser confirmados, mas assegurou que os cientistas da equipe que trabalham no detector não conseguiram descartar a existência do novo vínculo.

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- Precisamos de mais dados para analisar completamente o que acontece e dar os primeiros passos para uma nova física, um novo mundo que o LHC, esperamos, vai nos permitir descobrir.

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Equipamento já teve vários problemas

Com 27 km, o acelerador de partículas é uma estrutura circular construída a 100 m de profundidade na fronteira entre a França e a Suíça, ao custo aproximado de R$ 10 bilhões (US$ 5,2 bilhões).

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O LHC começou a processar partículas em novembro de 2009, depois de ser desligado em setembro de 2008, mês de sua inauguração, devido a um superaquecimento.

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Cinquenta e três dos 1.624 grandes ímãs supercondutores (alguns deles com 50 m de comprimento) foram danificados e precisaram ser substituídos.

Sua construção envolveu 7.000 físicos de todo o mundo e durou 12 anos.

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Em novembro de 2009, a máquina precisou ser desligada novamente porque um pedaço de pão, provavelmente levado por um pássaro, obstruiu o transformador elétrico.

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No final de março, o colisor conseguiu pela primeira vez recriar uma situação similar aos instantes posteriores ao surgimento do Universo. A colisão de partículas, feita a uma energia de 7 TeV (teraelétron-volts), foi alcançada após duas tentativas fracassadas – o recorde anterior havia sido obtido em 2009, quando a energia chegou a 1,18 TeV.

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Na escala de nosso mundo cotidiano, 7 TeV ou 14 TeV é a energia cinética de sete ou 14 mosquitos voando. Parece pouco, mas esses valores são enormes quando se trata de prótons porque durante o choque, a energia se concentra em uma área um bilhão de vezes menor que um mosquito.

O sucesso do experimento abre as portas para uma nova fase na física moderna, já que agora será possível dar respostas a inúmeras incógnitas sobre o Universo e a matéria.

Em junho deste ano, a supermáquina produziu uma taxa de colisão de feixes de partículas recorde: 10 mil colisões de prótons por segundo, o dobro de sua marca anterior.

A partir de 2013, o LHC deve alcançar seu rendimento máximo, com energia de 14 TeV.

Um dos principais desafios do LHC é encontrar a partícula bóson de Higgs, só descrita na teoria, e base para a explicação de diversos conceitos físicos.

O equipamento gigante chegou a despertar temores infundados de que poderia criar buracos negros capazes de destruir a humanidade. O aparelho foi citado no best-seller Anjos e Demônios, de Dan Brown.