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Filme denuncia turbilhão ambíguo de Edna Savaget, pioneira da TV

Cena do documentário. Foto: Reprodução
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Escrito por REDAÇÃO
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"Silêncio no Estúdio" conta vida e obra de Edna Savaget: criatura "multimídia", quando ainda nem se cogitava do termo. Com olhar de beatnik -espanto no Brasil machistóide dos anos 1950-, Savaget foi pioneira da televisão. Não tinha a fluência de Joan Didion, mas contestou o óbvio, dentro do possível.

A filha Luciana Savaget assina o roteiro. Além dela, o biógrafo Ricardo Gontijo, Patrícia Silveira e a diretora do filme, Emília Silveira. A presença de familiares em um documentário pode ser trágica. Ainda mais se o homenageado estiver morto e o olharmos do futuro. Felizmente, "Silêncio no Estúdio" não derrapa nos elogios fáceis. Pelo contrário, adota um tom sombrio, distante do solene.

Envergando cabelos loiros e curtos, tomados de laquê, Edna Savaget poderia ser confundida com uma Hebe intelectualizada. Extremamente popular nos programas vespertinos, conseguia ser ao mesmo tempo escritora e inspiração do "TV Mulher". José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, Boni, dá um depoimento delicioso, afirmando ter se inspirado em Savaget–a quem temia– para criar o programa.

O filme segue o padrão comum de cartas, fotos, entrevistados a granel, relíquias de arquivo. A câmera é previsível, em trajetória cronológica e linear, o que traz facilidade para o resgate da personalidade de Edna. A garota desprezada pelo pai versus a mulher carregada de energia por todos os poros.

Interessante perceber como Savaget agradou a família brasileira. Era um feminismo espontâneo, sem agendas, anos antes do Estatuto da Mulher Casada. No meio da alegria da bossa nova, mas abraçando as dores de amor de Dolores Duran. Incorporou a dona de casa, mas também peitou a intelligentsia.

Sob um aspecto quase antropológico, é inegável que tamanha testosterona criou ruídos na sagrada instituição do casamento. Em "Silêncio no Estúdio" -mesmo título de um de seus livros-, acompanhamos a relação com o marido. Cheia de amor e desamor, silêncio e grito, típicos do universo rodrigueano.

Nessa briga de gato e rato, Emília Silveira conseguiu deixar um abismo. Havia sofrimento em Edna Savaget. Uma frieza que a persona autoconfiante não nos deixava penetrar. Faleceu em 1998, próximo de Ofélia Anunciato, outro ícone da memória televisiva. Guardava um turbilhão ambíguo, que o filme habilmente denuncia.

SILÊNCIO NO ESTÚDIO (bom)

DIREÇÃO Emília Silveira

PRODUÇÃO Brasil, 2016

QUANDO em cartaz

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