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Criança Esperança erra com direção confusa e artistas sem sucesso

Da Redação ·
 Didi (Renato Aragão, o mestre de cerimônias da festa) e seu ex-parceiro de Trapalhões, Dedé Santana
fonte: Renato Rocha Miranda/Globo
Didi (Renato Aragão, o mestre de cerimônias da festa) e seu ex-parceiro de Trapalhões, Dedé Santana

Apesar da multidão de artistas em cima do palco, que pareciam vindo de todos os circos falidos do Brasil, o show que marcou o aniversário de 25 anos do Criança Esperança não empolgou o telespectador na noite deste sábado (14).

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Veja fotos do espetáculo.

A razão foi uma só: o roteiro que fugiu do popular e a direção que deixou câmeras e elenco perdidos no palco afastaram o evento de seu principal objetivo: mexer com o público.

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Artistas consagrados como Ivete Sangalo, Claudia Leitte e Sandy não cantaram seus sucessos, mas canções insossas impostas pela produção, razão que fez com que Zezé Di Camargo & Luciano abandonassem o projeto após 19 anos de participação.

Outra ausência marcante foi a da apresentadora Xuxa, que também não concordou com o formato imposto pelos diretores Ulysses Cruz e Wolf Maya, no comando da atração desde o ano passado, quando Aloysio Legey, criador do formato, deixou a direção do especial.

A entrada de Renato Aragão, o mestre de cerimônia da festa, não teve impacto algum. Ele surgiu no meio de centenas de artistas que lotavam o palco da Arena HSBC no Rio, de onde o show foi transmitido ao vivo. E, por muito pouco, câmera não perdeu a entrada dele.

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No começo da atração, a direção de câmeras estava tão perdida que só mostrou a atriz Luana Piovani no momento em que ela encerrava sua participação dançando balé clássico.

Dona do posto de cantora mais popular do país, Ivete Sangalo não cantou nenhum de seus sucessos pelos quais o público estava ávido, mas fez um dueto com Gilberto Gil, em um Andar com Fé fora de seu tom original para favorecer a falta de voz do ex-ministro da Cultura. Desperdício de cantora. E de carisma.

Atores e jornalistas convocados para repetir os números de doação não conseguiam achar a câmera certa para falar. Paulinho Vilhena tremia de medo. As únicas a se saírem bem na tarefa, mesmo com a direção maluca, foram Susana Vieira e Glória Maria, até porque a certeza que têm de que são divas da TV é inabalável.

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Se Daniela Mercury também não deu as caras, coube às conterrâneas Claudia Leitte e Margareth Menezes cantarem o velho repertório da primeira musa da axé music. O áudio do show estava irregular e muitas vezes prejudicou os cantores, como Sandy, que teve sua voz suprimida pela do coro, formado por amigos de Wolf Maya. Essa turma por pouco não derrubou a filha de Xororó do palco, tamanha a ansiedade em aparecer.

O jovenzinho Luan Santana, em vez de mandar ver seu Meteoro da Paixão, surgiu em dueto com a desconhecida Paula Fernandes – a moça que canta abertura de novelas das seis e mesmo assim não emplaca.

Léo Santana, o vocalista malhado da banda baiana Parangolé, estranhamente, foi o único artista que pode cantar um sucesso seu, aliás, o único que tem: o Rebolation. Foi a única hora que a plateia entediada se mexeu.

Elba Ramalho, mesmo sem a carteira de motorista apreendida recentemente porque ela se recusou a fazer o teste do bafômetro, também mostrou que seu carisma está imune a blitz e a programa mal dirigido.

Mas a festa teve três momentos que vão entrar para a história de micos no Criança Esperança. O primeiro foi Danielle Winits travestida de Barbie e seu namoradinho Jonatas Faro, de Ken. O segundo foram as interações de Sandra Annenberg e Evaristo Costa com os personagens Mônica e Cebolinha em 3D e mais elétricos que o de costume nas revistinhas. E, para finalizar, a cara de Didi no final, com um quase choro, foi o duro retrato de um especial que perdeu seu rumo: o entretenimento popular. Como se não bastasse, o Parabéns pra Você do encerramento parecia soar de um LP arranhado na vitrola.