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Após críticas e manifestações, Temer discute vincular Cultura à Casa Civil

Escrito por Folha Press
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MARIANA HAUBERT E GUSTAVO URIBE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Diante da polêmica em torno da extinção do Ministério da Cultura e da criação de uma secretaria nacional para a área, o presidente interino Michel Temer estuda agora vincular as atribuições da pasta à Casa Civil e não mais ao Ministério da Educação.
A mudança daria mais status à área, porque o secretário poderia despachar diretamente com o presidente e ministros do Palácio do Planalto.
De acordo com aliados, Temer avalia que a alteração pode mitigar as fortes críticas feitas à extinção do ministério vindas principalmente de artistas, produtores culturais e intelectuais de todo o país.
Para o presidente interino, um recuo neste momento com a recriação do ministério passaria uma sinalização muito ruim à sociedade.
Senadores que estiveram com o peemedebista em reunião na manhã desta terça (17) contaram que Temer explicou a eles que fez apenas um enxugamento de gastos das pasta, com a redução de cargos comissionados, e que não pretende acabar com programas do ministério, como a lei Rouanet, e nem diminuir o orçamento da área.
Segundo os parlamentares, Temer fez o comentário quando o senador Fernando Collor (PTC-AL), contou que, quando foi presidente da República, uma das frentes de briga que abriu com setores da sociedade que mais deram trabalho a ele foi justamente com o setor cultural. O senador recomendou a Temer repensar a estratégia.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também tem pressionado Temer para que ele reveja a questão e apoie a recriação da pasta, que pode ser feita por uma emenda à Medida Provisória enviada ao Congresso na semana passada com a formação de seu novo ministério.
"Ontem [terça] eu propus ao presidente Michel recriar o Ministério da Cultura. Acho que ele é muito relevante para ser reduzido a uma questão contábil, orçamentária. Ele não vai quebrar o Brasil mas a sua extinção quebrará a nação porque colonizam sociedades. Isso não pode significar um retrocesso", afirmou Renan. Ele classificou a pasta como "fundamental e estratégica".
Segundo o peemedebista, Temer "ficou de refletir" e não deu uma resposta definitiva. "O importante é contarmos com a simpatia do presidente para a recriação e contássemos com o apoio do presidente na sanção [da MP]", disse. "Quando a gente erra, precisa errar rapidamente no sentido de corrigir rapidamente o erro", completou.
Para Renan, a possibilidade de vincular a Secretaria Nacional de Cultura à Casa Civil não resolve o problema. "Ele comentou comigo sobre isso mas o emblemático é ter um Ministério da Cultura. O orçamento dele é pouco, não quebra o Brasil", disse.
Temer também tem enfrentado outro problema para encontrar um nome que aceite assumir a secretaria. Nesta semana, quatro mulheres procuradas pelo governo para ocupar o posto recusaram a oferta em sinal de repúdio à extinção do ministério e ao fato de o presidente não ter nomeado nenhuma mulher para o primeiro escalão de seu governo.

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