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'Aquarius', de Kleber Mendonça Filho, é aplaudido em Cannes

Escrito por Folha Press
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GUILHERME GENESTRETI, ENVIADO ESPECIAL * CANNES, FRANÇA (FOLHAPRESS) 

O que era uma rua em "O Som ao Redor" agora é um prédio em "Aquarius" - esse é o microcosmo escolhido pelo diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho para desenvolver um olhar crítico sobre a sociedade brasileira em seu novo filme, que está na competição oficial de Cannes.

"Aquarius" teve sua primeira exibição para a imprensa na manhã desta terça (17) e foi aplaudido pelos jornalistas que lotaram a sala Bazin - espaço menor do que os outros em que os filmes da competição em geral são projetados.
Sonia Braga, mais uma vez se consagrando como o rosto do cinema brasileiro no exterior, vive Clara, crítica de música aposentada e viúva que está às turras com uma construtora com planos de demolir o prédio em que ela vive, último remanescente de seu estilo na praia de Boa Viagem, no Recife, para criar um novo empreendimento. Cercada de livros, de discos de vinil - de memória física, enfim -, Clara enfrenta o herdeiro da construtora (interpretado por Humberto Carrão), sujeito formado em "business nos Estados Unidos", e personificação da especulação imobiliária, alvo da crítica no filme. 

A atriz Maeve Jinkings faz a filha pragmática de Clara, inconformada com o fato de a mãe viver num "prédio fantasma". "Aquarius" guarda muitos dos elementos de "O Som ao Redor": a discussão sobre o espaço físico (público e privado), as diferenças de classes sociais (no novo filme evidenciadas na personagem vivida por Zoraide Coleto, empregada doméstica de Clara), a cuidadosa construção sonora. Mas, o novo longa concentra na protagonista vivida por Sonia Braga toda a dramaturgia -é ela, e não um círculo de personagens como no filme anterior, a escolhida para dar voz ao mote do longa: um libelo sobre a memória das coisas. 

"Aquarius" compete com outros 20 títulos pela Palma de Ouro. Entre seus mais fortes concorrentes estão os elogiados "Paterson", do diretor americano Jim Jarmusch, e a comédia alemã "Toni Erdmann", de Maren Ade. A última vez que o Brasil disputou o prêmio foi em 2012 com "Na Estrada", coprodução com outros países dirigida por Walter Salles. Esse cineasta também competiu em 2008 por "Linha de Passe", codirigido por Daniela Thomas -Salles, aliás, é produtor de "Aquarius". O Brasil ganhou a Palma de Ouro uma vez: em 1962, por "O Pagador de Promessas", de Anselmo Duarte.

* O jornalista GUILHERME GENESTRETI se hospeda a convite do Festival de Cannes

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