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Ferreira Gullar expõe sua história e poesia em retrospectiva no Rio

Escrito por Folha Press
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LUIZA FRANCO
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Você entra num cubo azul de três metros de altura. Desce três degraus. À sua frente, mais ou menos na altura do joelho, está um cubo vermelho. Você o levanta. Lá dentro, outro, menor, verde. Dentro desse, um branco. Você levanta ele e vê, sobre o chão, um espelho. Nele se lê o que está no verso do cubo branco: rejuvenesça.
É o "Poema Enterrado", de Ferreira Gullar, 85, exposto agora pela primeira vez desde que foi concebido em 1959, numa retrospectiva do escritor que foi aberta ao público na última quarta (11) no BNDES, no Rio.
A instalação foi a despedida de Gullar do neoconcretismo, movimento que ajudou a fundar. Passou esses anos todos na casa da família de Hélio Oiticica, um dos expoentes do movimento. Na sua inauguração original, foi, literalmente, por água abaixo.
Oiticica soube da obra pelo "Jornal do Brasil". Entusiasmou-se e quis montá-la no quintal da casa que sua família estava construindo, na Gávea Pequena, no Rio. Seria o primeiro poema com endereço de que se sabia.
Mas, no momento da inauguração, com toda a trupe de Gullar assistindo -Mario Pedrosa, Lygia Clark, Amilcar de Castro-, foram abertas as portas da instalação e lá dentro os cubos flutuavam sobre a água. Chovera muito no dia anterior, e a obra foi alagada.
"Caímos na gargalhada", diz Gullar. "A inauguração de um poema já era uma grande brincadeira. Rimos mais ainda."
É extensa a descrição das funções que Gullar exerce: poeta, artista plástico, ensaísta, compositor, crítico, dramaturgo, escritor.
A retrospectiva toca em todas essas facetas. Estão lá edições de seus livros; áudios de poemas que viraram canções -a mais famosa delas, "Borbulhas de Amor", gravada por Fagner; as obras "Livro Poema" e "Poema Espacial"; sua produção artística mais recente, a série de colagens "Revelação do Avesso".
"[As colagens] venderam em todas as exposições que fiz: São Paulo, Rio, Belo Horizonte. Não é cachorro morto, cocô na tela, é uma coisa bonita", diz Gullar, ecoando as críticas que costuma fazer à arte contemporânea.
Há também muita memorabilia. Em momentos, passeia-se por ela como quem vê um álbum de família: retratos de Gullar em casa com a filha recém-nascida no colo, na festa de 85 anos -a companheira de Gullar, a poeta Cláudia Ahimsa, assina com Augusto Sérgio Bastos a curadoria da exposição.
Em outros, parece que vemos fotos de porta-retratos na estante: Gullar com Oscar Niemeyer, com Vinicius de Moraes, o lançamento de "Poema Sujo" no Brasil —este sem a presença dele, que estava no exílio.
Está lá, por exemplo, a máquina de escrever onde Gullar bateu o "Poema Sujo" e a primeira versão do poema, tido como sua obra-prima, cheia de rasuras.
Há também a primeira edição do seu primeiro livro, "Um Pouco Acima do Chão" (1949), com dedicatória.
"Ao mais humano poeta do Brasil, para mim, o maior dentre os vivos, envio esse ajuntado de versos, escritos com a pressa do adolescente, mas, também, com seu coração. Poeta Manuel Bandeira, este livro custa na livraria 15 cruzeiros, mas para o senhor eu peço apenas uma compensação: leia-o", disse o adolescente Gullar para o adulto Manuel Bandeira.
Hoje, diz, não pode mais escrever poesia. "A poesia nasce do espanto. Como é algo que eu não domino, que não posso provocar, se eu não sinto mais ele, é melhor não escrever, senão sai besteira."

FERREIRA GULLAR
ONDE galeria BNDES (av. República do Chile, 100, tel. 0800 702 6337)
QUANDO 11 de maio a 1º de julho, de 2ª a 6ª, das 10h às 19h
QUANTO grátis

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